Por que fisiculturistas usam insulina? 'Performance estética não elimina vulnerabilidade fisiológica', diz endocrinologista em alerta após morte do atleta Gabriel Ganley, de 22 anos
Publicado em 25 de maio de 2026 às 14:56
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Morte de fisiculturista de 22 anos acende alerta grave: por que atletas usam insulina e quais são os riscos silenciosos?
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A morte do jovem fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, reacendeu um debate delicado, urgente e cheio de dúvidas nas redes sociais: afinal, por que alguns atletas utilizam insulina mesmo sem serem diabéticos? O caso chamou atenção não apenas entre fãs do universo fitness, mas também entre médicos e especialistas da saúde, principalmente pelos perigos envolvidos no uso inadequado da substância.

Segundo informações divulgadas por profissionais da área médica, a insulina vem sendo utilizada de forma irregular em alguns protocolos ligados à performance estética e ao fisiculturismo. Embora seja um hormônio essencial para pacientes com diabetes, o uso fora da indicação clínica pode provocar consequências extremamente graves.

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O que leva fisiculturistas a usarem insulina?

A insulina é conhecida por controlar os níveis de açúcar no sangue, mas também possui um importante efeito metabólico ligado ao armazenamento de nutrientes. No universo do fisiculturismo, alguns atletas recorrem à substância porque ela facilita a entrada de glicose e nutrientes nas células musculares, favorecendo o aumento do glicogênio muscular e criando um ambiente considerado anabólico.

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A endocrinologista e metabologista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Dra. Tassiane Alvarenga, explicou que, apesar de não ser um esteroide anabolizante como testosterona e derivados androgênicos, a insulina possui forte ação metabólica.

“A insulina é um hormônio essencial para a vida e tem indicação médica muito bem estabelecida no tratamento do diabetes. O problema surge quando ela é utilizada sem necessidade clínica e fora de acompanhamento médico, especialmente em contextos de performance estética ou fisiculturismo”, afirmou a especialista.

O perigo silencioso que pode levar ao coma

De acordo com a médica, o maior risco está na hipoglicemia severa, quando os níveis de glicose no sangue caem drasticamente. E o problema pode acontecer de maneira muito rápida.

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“A insulina aplicada de forma exógena não possui o mesmo controle biológico fino que existe naturalmente no organismo. Ela continua empurrando glicose para dentro das células mesmo quando os níveis sanguíneos começam a despencar. E é aí que mora o perigo”, alertou Dra. Tassiane Alvarenga.

A especialista explica que o cérebro depende quase exclusivamente da glicose para funcionar corretamente. Quando ocorre uma queda intensa desse açúcar no organismo, o corpo entra em estado crítico.

Os sintomas iniciais podem incluir suor excessivo, tremores, taquicardia, visão embaçada e confusão mental. Nos casos mais graves, a situação pode evoluir para convulsões, perda de consciência, coma hipoglicêmico e até morte.

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Corpo musculoso não significa organismo protegido

Outro ponto destacado pela endocrinologista é que aparência física e saúde metabólica não são a mesma coisa. Segundo ela, muitos protocolos utilizados no fisiculturismo envolvem combinações perigosas de substâncias.

A médica explicou que o uso da insulina frequentemente aparece associado ao hormônio do crescimento, anabolizantes e estimulantes, aumentando ainda mais a sobrecarga cardiovascular e metabólica do organismo.

“Performance estética não elimina vulnerabilidade fisiológica. Um corpo extremamente musculoso não significa necessariamente segurança metabólica ou cardiovascular”, destacou a especialista.

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O alerta ganha ainda mais repercussão diante da enorme pressão estética existente nas redes sociais e da busca cada vez mais intensa por corpos considerados perfeitos. Profissionais da saúde reforçam que o uso de medicamentos hormonais sem acompanhamento médico representa um risco real e pode trazer consequências irreversíveis.

Especialista pede cautela após morte de Gabriel Ganley

Diante da comoção causada pela morte de Gabriel Ganley, a endocrinologista também pediu responsabilidade na divulgação de informações e especulações sobre o caso.

“No caso específico de Gabriel Ganley, existe uma comoção muito grande nas redes sociais e é fundamental conduzir essa discussão com responsabilidade. Até o momento, informações oficiais completas sobre a causa da morte ainda precisam ser respeitadas e aguardadas. Transformar especulações em conclusões precipitadas não é adequado do ponto de vista médico nem humano”, finalizou Dra. Tassiane Alvarenga.

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O caso acabou servindo como um importante alerta sobre os limites do corpo humano e os perigos que podem existir por trás da busca extrema por performance estética, especialmente quando substâncias de uso médico passam a ser utilizadas sem supervisão adequada.

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