A psicologia afirma que a razão pela qual as pessoas mais velhas param de se preocupar em serem queridas não é o cinismo – é, na verdade, a maior liberdade
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 18:10
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Segundo a psicologia, pessoas mais velhas sabem como lidar com a própria liberdade; entenda
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Josefa, personagem vivida pela atriz Arlete Salles, de 87 anos, na Globo, é daquele tipo que não pede licença para existir. 

Na trama, mesmo 'aprisionada' pela filha Arminda (Grazi Massafera), ela não perde o brilho: fala o que pensa, ri alto, provoca quando quer e, acima de tudo, parece genuinamente feliz. Não há cinismo em suas palavras, e sim, liberdade.

E é justamente aí que a psicologia oferece uma chave interessante para entender esse comportamento que tantas vezes é mal interpretado. 

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Segundo estudos sobre envelhecimento, quando pessoas mais velhas deixam de se preocupar em serem queridas por todos, isso não significa que desistiram da vida social ou que se tornaram mal-educadas. Trata-se, na verdade, de uma das formas mais elevadas de liberdade emocional que alguém pode alcançar.

Se você tem menos de 50 anos, talvez já tenha pensado ao observar alguém assim: “Ela largou mão” ou “Ele ficou ranzinza”. Mas a resposta não é nenhuma dessas. 

O que acontece é que muitos idosos simplesmente param de se apresentar ao mundo o tempo todo. Eles deixam de moldar cada frase para caber na expectativa alheia. E a leveza que vem com isso é difícil de imaginar para quem ainda vive sob o peso constante da aprovação social.

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Desde a adolescência, somos treinados a buscar aceitação. Do ponto de vista evolutivo, isso fazia sentido: pertencer ao grupo era questão de sobrevivência. A psicologia chama esse processo de automonitoramento, o ajuste constante da própria imagem com base nos sinais sociais ao redor.

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O que muda com o tempo?

Na década de 1990, a psicóloga Laura Carstensen desenvolveu a teoria da seletividade socioemocional, hoje uma das mais influentes no estudo do envelhecimento. 

A ideia é simples e poderosa: quando percebemos nosso tempo como ilimitado, algo comum na juventude, priorizamos metas voltadas para o futuro, conexões estratégicas, planos de longo prazo.

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Quando a percepção muda e o tempo passa a ser visto como limitado, as prioridades também se transformam. O foco sai do “isso vai me ajudar depois?” e passa para “isso me faz bem agora?”. 

Pessoas mais velhas costumam ter menos relacionamentos, mas frequentemente relatam maior satisfação com os vínculos que mantêm. Elas se libertam do 'peso morto' emocional e investem energia apenas no que faz sentido.

Talvez a grande lição que Josefa nos ofereçam não seja que a liberdade chega com a idade. 

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