Cruzar as mãos à frente do corpo pode dar a impressão de que estamos escondendo alguma coisa. No entanto, a linguagem não verbal revela muito mais sobre nós do que imaginamos.
Segundo a psicologia, esse gesto pode ter diferentes significados, dependendo da forma como é feito e do contexto em que acontece.
Começando pelas mãos entrelaçadas à frente do corpo: esse gesto costuma estar associado a uma postura mais reservada em relação ao outro ou a um movimento de introspecção.
De acordo com a sinergologia, disciplina dedicada à interpretação da comunicação não verbal inconsciente, manter as mãos fechadas ou os dedos entrelaçados transmite uma mensagem bastante específica.
A especialista Eva García Ruiz explicou, em entrevista ao Intervenia Neuromanagement, que é importante observar o nível de tensão nas mãos.
"É fundamental prestar atenção à tensão nas articulações. Quando os dedos são entrelaçados com força, eles podem até mudar de cor, deixando claro que a pessoa não está em um estado emocional relaxado. Mãos fechadas e tensionadas indicam uma postura de reserva em relação ao outro e uma forma de proteção diante de algo que está causando desconforto."
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Por outro lado, quando as mãos permanecem relaxadas, com os dedos apenas apoiados suavemente uns sobre os outros, sem tensão, a linguagem corporal aponta para um estado de introspecção, segundo a especialista.
Outra postura bastante conhecida é o chamado gesto da "folha de parreira", em que uma mão segura a outra à frente do corpo, deixando o dorso das mãos voltado para fora e cobrindo a parte interna dos punhos.
Esse gesto pode indicar submissão, especialmente quando a pessoa também mantém a cabeça e o queixo abaixados. Além disso, pode transmitir a sensação de que ela está escondendo algo.
No entanto, os especialistas Sergio Rulicki e Martín Cherny apresentam outra interpretação no livro “Comunicación no verbal: cómo la inteligencia emocional se expresa a través de los gestos” (“Comunicação não verbal: como a inteligência emocional se expressa por meio dos gestos”, em tradução livre).
Segundo eles, segurar os próprios punhos pode representar uma tentativa de autocontrole em situações desconfortáveis ou de tensão.
A explicação é que, diante de circunstâncias que fogem ao controle, algumas pessoas procuram conter as próprias emoções segurando uma parte do próprio corpo.
Há décadas, estudos antropológicos apontam que cruzar os braços costuma ser interpretado como uma barreira de proteção. Ainda assim, Rulicki e Cherny destacam que o gesto também pode expressar rejeição, sensação de superioridade ou irritação, dependendo do contexto.
Além de indicar uma postura defensiva ou desconfortável diante do interlocutor — algo comum, por exemplo, em discussões de casal, quando uma das pessoas se sente atacada e cruza imediatamente os braços —, esse movimento cria uma barreira física entre quem fala e quem escuta.
Sem perceber, acabamos estabelecendo uma distância entre nós e o outro. O gesto também pode surgir quando queremos demonstrar discordância ou resistência ao que está sendo dito, mas também pode refletir nervosismo ou insegurança.
Como explicam Rulicki e Cherny no livro, em situações de maior tensão é comum que a pessoa incline o tronco para trás e esconda os dedos ao cruzar os braços. Segundo os autores, essa postura "representa uma negativa categórica, uma disposição negativa ou hostilidade".
Esse comportamento é conhecido como um "fechamento emocional" e sinaliza ao interlocutor que a pessoa não concorda — e tampouco está disposta a concordar. Trata-se de uma postura altamente defensiva, que dificulta a comunicação e prejudica até mesmo processos de negociação, além de conflitos e discussões.