A psicologia afirma que as pessoas que cruzam as mãos ou os braços à frente do corpo nem sempre estão escondendo algo; na verdade, podem estar tentando controlar suas emoções
Publicado em 16 de julho de 2026 às 09:43
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Cruzar os braços, entrelaçar os dedos ou segurar o próprio punho pode revelar emoções como insegurança, desconforto e necessidade de autocontrole, segundo especialistas em linguagem corporal
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Cruzar as mãos à frente do corpo pode dar a impressão de que estamos escondendo alguma coisa. No entanto, a linguagem não verbal revela muito mais sobre nós do que imaginamos.

Segundo a psicologia, esse gesto pode ter diferentes significados, dependendo da forma como é feito e do contexto em que acontece.

O que significa cruzar os dedos ou entrelaçar as mãos à frente do corpo

Começando pelas mãos entrelaçadas à frente do corpo: esse gesto costuma estar associado a uma postura mais reservada em relação ao outro ou a um movimento de introspecção.

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De acordo com a sinergologia, disciplina dedicada à interpretação da comunicação não verbal inconsciente, manter as mãos fechadas ou os dedos entrelaçados transmite uma mensagem bastante específica.

A especialista Eva García Ruiz explicou, em entrevista ao Intervenia Neuromanagement, que é importante observar o nível de tensão nas mãos.

"É fundamental prestar atenção à tensão nas articulações. Quando os dedos são entrelaçados com força, eles podem até mudar de cor, deixando claro que a pessoa não está em um estado emocional relaxado. Mãos fechadas e tensionadas indicam uma postura de reserva em relação ao outro e uma forma de proteção diante de algo que está causando desconforto."

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Por outro lado, quando as mãos permanecem relaxadas, com os dedos apenas apoiados suavemente uns sobre os outros, sem tensão, a linguagem corporal aponta para um estado de introspecção, segundo a especialista.

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O que revela segurar um dos punhos à frente do corpo

Outra postura bastante conhecida é o chamado gesto da "folha de parreira", em que uma mão segura a outra à frente do corpo, deixando o dorso das mãos voltado para fora e cobrindo a parte interna dos punhos.

Esse gesto pode indicar submissão, especialmente quando a pessoa também mantém a cabeça e o queixo abaixados. Além disso, pode transmitir a sensação de que ela está escondendo algo.

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No entanto, os especialistas Sergio Rulicki e Martín Cherny apresentam outra interpretação no livro “Comunicación no verbal: cómo la inteligencia emocional se expresa a través de los gestos” (“Comunicação não verbal: como a inteligência emocional se expressa por meio dos gestos”, em tradução livre).

Segundo eles, segurar os próprios punhos pode representar uma tentativa de autocontrole em situações desconfortáveis ou de tensão.

A explicação é que, diante de circunstâncias que fogem ao controle, algumas pessoas procuram conter as próprias emoções segurando uma parte do próprio corpo.

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O que significa cruzar os braços

Há décadas, estudos antropológicos apontam que cruzar os braços costuma ser interpretado como uma barreira de proteção. Ainda assim, Rulicki e Cherny destacam que o gesto também pode expressar rejeição, sensação de superioridade ou irritação, dependendo do contexto.

Além de indicar uma postura defensiva ou desconfortável diante do interlocutor — algo comum, por exemplo, em discussões de casal, quando uma das pessoas se sente atacada e cruza imediatamente os braços —, esse movimento cria uma barreira física entre quem fala e quem escuta.

Sem perceber, acabamos estabelecendo uma distância entre nós e o outro. O gesto também pode surgir quando queremos demonstrar discordância ou resistência ao que está sendo dito, mas também pode refletir nervosismo ou insegurança.

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Como explicam Rulicki e Cherny no livro, em situações de maior tensão é comum que a pessoa incline o tronco para trás e esconda os dedos ao cruzar os braços. Segundo os autores, essa postura "representa uma negativa categórica, uma disposição negativa ou hostilidade".

Esse comportamento é conhecido como um "fechamento emocional" e sinaliza ao interlocutor que a pessoa não concorda — e tampouco está disposta a concordar. Trata-se de uma postura altamente defensiva, que dificulta a comunicação e prejudica até mesmo processos de negociação, além de conflitos e discussões.

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