Neste 25 de julho, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma reflexão do psiquiatra espanhol Enrique Rojas ganha importante significado.
Em uma data criada para dar visibilidade à luta contra o racismo, o sexismo e outras formas de discriminação contra as mulheres, sua frase convida a olhar para a força que nasce da reconstrução emocional:
"Uma mulher madura é aquela que fez as pazes com o passado, que soube perdoar e se perdoar, e que olha para o futuro com esperança."
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A celebração surgiu em 1992, durante o I Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, reunindo representantes de 32 países para denunciar as desigualdades enfrentadas por mulheres negras e fortalecer uma agenda comum de combate ao preconceito.
Mais de três décadas depois, a data continua sendo um símbolo de resistência e de valorização das trajetórias femininas.
Personalidades como Taís Araujo, uma das atrizes mais importantes da televisão brasileira, e Zoe Saldaña, estrela internacional filha de pai dominicano e mãe porto-riquenha, representam essa caminhada.
Em diferentes contextos, ambas conquistaram espaço em suas carreiras e se tornaram referências ao abordar temas como representatividade, racismo e autoestima.
A frase de Enrique Rojas dialoga justamente com esse processo. Ao falar sobre maturidade, o psiquiatra não está se referindo à idade, à aparência ou à quantidade de experiências vividas.
Seu olhar é voltado para aquilo que acontece dentro de cada pessoa. Para ele, amadurecer significa reorganizar emocionalmente a própria história, sem permanecer aprisionado pelas dores que marcaram o passado.
Especialista no tratamento de depressão, ansiedade e transtornos da personalidade, Rojas costuma destacar que uma vida emocional equilibrada não nasce da ausência de sofrimento. Ela surge quando a pessoa consegue integrar suas experiências, reconhecer as cicatrizes e seguir em frente sem permitir que elas definam quem ela é.
Rojas chama atenção para um exercício muitas vezes mais difícil: o de perdoar a si mesmo. Ele resume essa ideia em outra reflexão marcante:
"Perdoe-se, deixe a culpa para trás e siga em frente."
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O psiquiatra fala sobre abandonar a autopunição permanente, aquela sensação de culpa que impede uma pessoa de crescer porque a mantém presa ao que já aconteceu.
Essa perspectiva é especialmente significativa quando pensamos na trajetória de tantas mulheres que precisaram enfrentar preconceitos estruturais, discriminações e desafios pessoais ao longo da vida.
Fazer as pazes com o passado não significa esquecer injustiças ou fingir que elas nunca existiram, mas impedir que essas experiências roubem a esperança de construir um futuro diferente.
Por isso, Enrique Rojas define a maturidade feminina de dentro para fora. Ela não está na imagem refletida no espelho, nem no papel social desempenhado. Está na capacidade de transformar dor em aprendizado, culpa em acolhimento e passado em uma base para seguir caminhando.