"A vida nunca se torna insuportável por causa das circunstâncias, mas sim por falta de significado e propósito." A célebre máxima do filósofo e psiquiatra austríaco Viktor Frankl ressoa como um farol de lucidez.
A filosofia de Frankl nos convida a abandonar a posição de vítima das circunstâncias difíceis. A infelicidade ou a dor não ditam o fim; a resposta que damos a elas é o que define quem nos tornamos.
Essa convicção nasceu do horror de sua vida pessoal. Durante a Segunda Guerra Mundial, Frankl foi capturado pelo regime nazista e aprisionado em campos de concentração como Auschwitz e Dachau.
Antes do cativeiro, ele tomou a decisão consciente de recusar um visto de fuga para os Estados Unidos para não abandonar seus pais idosos. A tragédia brutal do Holocausto acabou tirando a vida de seus pais, de seu irmão e de sua primeira esposa.
No meio do abismo, Frankl descobriu a chama que o manteve vivo: "Não há nada no mundo que empodere tanto uma pessoa quanto a consciência de ter uma missão na vida".
Essa busca por sentido se choca frontalmente com dinâmicas tóxicas retratadas na novela 'Quem Ama Cuida', na Globo. Tom (Allan Souza Lima) espanca a companheira Elenice (Mariana Sena).
Sob a ótica de Frankl, fica evidente que o suposto propósito do agressor não é amar ou construir, mas exercer o controle absoluto. Logo, culpar o mundo externo pelos próprios atos violentos é a recusa covarde de encarar a própria vacuidade interior.
Longe de ser uma abstração inacessível, Frankl ensina que o verdadeiro propósito se concretiza no cotidiano através de três caminhos fundamentais:
- O trabalho criativo: a dedicação a um projeto, vocação ou tarefa que gere impacto significativo no mundo;
- As experiências profundas e o afeto: a vivência do amor autêntico com outra pessoa, a conexão familiar e a contemplação curativa da natureza;
- A atitude perante o sofrimento inevitável: o caminho mais nobre, que reside na postura ética e na dignidade com que escolhemos responder às dores que não podemos alterar.
Portanto, a filosofia de Frankl nos convida a abandonar a posição de vítima das circunstâncias difíceis. A infelicidade ou a dor não ditam o fim; a resposta que damos a elas é o que define quem nos tornamos.