Psicólogo diz que o aumento da ansiedade entre jovens não começou com as redes sociais. O real problema está na falta de independência
Publicado em 13 de abril de 2026 às 12:16
Por Matheus Queiroz | Notícias dos famosos, TV e reality show
Jornalista por vocação, apaixonado por música, colecionador de CDs e neto perdido de Rita Lee.
‘Uma das principais causas do aumento dos transtornos mentais é a diminuição das oportunidades para crianças e adolescentes brincarem e se envolverem em outras atividades independentes da supervisão e controle direto dos adultos’, detalha psicólogo americano.
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O aumento de diagnósticos de ansiedade e depressão entre jovens cresceu significativamente nos últimos tempos, especialmente, nos anos que sucederam a pandemia. De 2014 a 2024, os atendimentos a crianças de 10 a 14 anos por ansiedade subiu quase 2.500% no SUS, segundo um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde.

Existem diversas explicações para esse cenário e muitas correntes apontam a influência do uso de redes sociais e celular em idades cada vez menores. No entanto, o psicólogo americano Peter Gray, professor pesquisador de psicologia e neurociência no Boston College, universidade na cidade de Boston, acredita que a explicação tem início ainda na década de 1960, muito antes do advento dos smartphones.

“Uma das principais causas do aumento dos transtornos mentais é a diminuição das oportunidades para crianças e adolescentes brincarem e se envolverem em outras atividades independentes da supervisão e controle direto dos adultos”, detalha o psicólogo em artigo publicado na revista médica Journal of Pediatrics.

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O especialista defende que, quando os jovens realizam atividades de maneira independente, eles ganham mais bem-estar mental e, a longo prazo, desenvolvem resiliência e outras características mentais que os ajudam a lidar com adversidades.

Peter descreve que, nos anos 1960, as crianças começaram a receber cada vez mais supervisão e proteção dos pais. “Ganharam mais autonomia em alguns aspectos, como escolher o que querem vestir ou comer, mas perderam a liberdade para se engajar em atividades que envolvem algum grau de risco e responsabilidade pessoal, longe de adultos”, pontua o especialista. 

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Em entrevista à BBC Brasil, o psicólogo pontua que “há diversas razões para esse declínio”. Entre elas, a popularização da televisão. “Trouxe muitas crianças para dentro de casa e as isolou de seus pares”, explica.

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Outro ponto levantado pelo especialista é que os adultos passaram a controlar até os esportes e as brincadeiras infantis. “Em vez de sair para a rua e inventar seus próprios jogos, o que era brincar, agora cada vez mais crianças participam de esportes que são controlados não por elas próprias, mas por adultos. Isso é muito diferente de brincar, parece mais com escola, porque estão seguindo regras e decisões feitas pelos adultos. Não estão aprendendo a tomar suas próprias decisões, a resolver as diferenças entre si, a solucionar seus problemas sozinhas”, alerta.

A influência e a participação dos pais na rotina escolar também contribuem para esse cenário, segundo o psicólogo. “Mesmo no ambiente escolar, os pais passaram a exercer mais e mais controle, e as crianças ficaram cada vez mais dependentes dos pais para defender seus interesses. O resultado é visto não apenas nas universidades, mas até mesmo entre empregadores de jovens adultos. É difícil acreditar, mas há até mesmo casos de pais que querem estar presente durante a entrevista de emprego de seus filhos.”

Para o especialista, os pais precisam traçar as primeiras estratégias de independência da criança já aos dois anos. “Tudo o que são capazes de fazer, preferem fazer sozinhos. E seria bom se permitíssemos. É claro que você não vai deixar uma criança de dois anos sozinha no parque, isso seria negligente, mas há outras coisas que podem fazer sozinhas”, completa. 

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