Se olhar em volta na sua família, vai encontrar pais, tios ou primos que nasceram entre os anos de 1940 e 1960: essa geração, também conhecida como Baby Boomer, pode ser caracterizada por ter um comportamento mais reservado, se comparado com à atual Geração Z, altamente conectada às redes sociais.
Quem cresceu nessas décadas geralmente tinha o hábito de sentar à mesa nos finais de semana, na presença dos familiares, mas normalmente ficava em silêncio. Eles foram aprendendo que não deveriam manifestar suas opiniões, até mesmo para não interromper as conversas dos adultos, ou até deixá-los bem irritados.
As informações que chegavam eram apenas recebidas, aceitas e guardadas por esse grupo de pessoas, sem qualquer tipo de objeção. Se fizermos uma pesquisa no mundo das celebridades, existem diversas que nasceram nessa época.
Uma delas é Miguel Falabella (69 anos), o Kásper da novela "Três Graças". O ator e diretor, nascido em 1956, veio de uma época com a infância sem celulares. Além disso, é conhecido por ter um comportamento mais reservado. Já a atriz Glória Pires (62 anos), também pertence à essa geração, pois nasceu em 1963.
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Muitos, nessa época, desenvolveram comportamentos até mais inflexíveis, diante daquilo que era imposto pela sociedade. Geralmente, são pessoas muito responsáveis, mas emocionalmente reservadas, isto é, não costumam ter o hábito de se abrir com ninguém.
Meus pais já contaram para mim de que, naquela época, tanto seus colegas, como eles mesmos, não tinham poder de fala dentro de casa. Neste caso, a hierarquia falava mais alto, levando aos adultos a tomarem decisões, e as crianças só obedeciam.
Nada de debate para escolher a próxima viagem, ou o próximo filme que iriam assistir no cinema. Muito menos o almoço ou o jantar do dia seguinte. A clínica Sage Therapy, especializada em saúde mental com várias unidades nos Estados Unidos, fez um estudo sobre esse grupo de pessoas.
De acordo com a análise, a incerteza era presença marcante: "Essa geração cresceu durante a Guerra Fria, atingindo a maioridade durante os anos de 1960 e 1970, além da Guerra do Vietnã", explicou. Enquanto o mundo se acabava, dentro de casa a ordem precisava ser mantida.
No entanto, muita gente se questiona se essas atitudes não eram cruéis. Os nossos pais normalmente não faziam por maldade, já que acreditavam na disciplina como pilar fundamental para moldar o caráter. Muitos passaram por situações difíceis, até mesmo em meio à Segunda Guerra Mundial.
Aqui não tinha chance para reclamações. Se você pensasse em "choramingar" porque não gostou de alguma coisa, sua mãe ou seu pai já falava "Pare com isso!". Não existiam palavras de carinho, ou que pudessem demonstrar cuidado.
As pessoas foram aprendendo a serem responsáveis muito cedo, e muitas vezes, adquirindo maior inteligência emocional para lidar com as adversidades que poderiam surgir. Isso realmente aconteceu na minha família, pois minha avó, com apenas 11 anos de idade, ficava sozinha em casa e tomava conta do irmão mais novo.
Paralelamente, essa turma foi aprendendo a se virar e entender as situações que apareciam, diante da real necessidade. Hoje, são adultos que foram acostumados a dar conta de tudo, multidisciplinares, e quando não conseguem, se sentem incompetentes.
Contudo, a parte sentimental acabou ficando de lado. Essas pessoas não davam tanta importância à questão emocional, então a tristeza ou o medo, por exemplo, não eram desculpas para deixar de lado uma tarefa que precisava ser feita.
Todos esses fatores da criação levaram essa geração à excelentes observadores. Esses indivíduos estavam atentos a todo momento, se o pai ou a mãe precisasse de ajuda, ou até mesmo se alguém estivesse passando por dificuldades.
Porém, de acordo com alguns estudos da psicologia, se focava apenas nos outros quando era criança, acabava deixando de lado o seu desenvolvimento emocional. Como era considerado bom em tudo, dificilmente alguém oferecia ajuda.
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A revista VegOut Magazine ressaltou que "essa geração aprendeu que nem todo inconveniente exige uma atualização, e nem toda dificuldade exige uma compra". Ser considerado autossuficiente era uma espécie de regra característica deste período.
E como ficam essas pessoas com a idade mais avançada? Elas tiveram que aprender, com o passar dos anos, a irem quebrando essas barreiras impostas ao longo da vida. Precisaram se permitir ser frágeis, aprenderam a pedir ajuda, e seguem a caminhada da vida. Assim, estão sendo mais honestas consigo mesmas.
Por fim, é evidente que as obrigações continuam sendo prioridade, mas agora esse aglomerado de pessoas também se permite sentir, errar, e aprender, uns com os outros.