A decisão de se conceder "perdão judicial" a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, morto aos 4 anos em 2021, revoltou a jurista e professora Silvia Pimentel. Monique foi solta horas após o fim do julgamento por já ter cumprido a pena imposta a ela (1 ano e 4 meses), enquanto dr. Jairizinho recebeu condenação de quase 44 anos de prisão.
"O perdão judicial foi descabido, foi não jurídico e significou uma bondade da juíza. Essa decisão é contra os interesses de um feminismo esclarecido, porque nós não queremos bondade de gênero, queremos equidade de gênero. Nós (mulheres) não queremos ser tuteladas", afirmou Silvia à rede BBBC News. Foi a jurista uma das responsáveis por formular a Lei Maria da Penha.
Finalizado o julgamento, a defesa do ex-vereador anunciou que irá recorrer, assim como o Ministério Público e o assistente de acusação. Pai de Henry, Leniel Borel também afirmou que vai entrar com recurso.
Um laudo afastou hipótese de acidente doméstico e documento oficial indicou 23 lesões dcorrentes de ação violenta, que provocaram a laceração do fígado e hemorragia interna. Henry teve ainda múltiplas lesões e sofreu parada cardiorrespiratória.
Vale lembrar que Monique foi condenada somente na acusação de omissão à tortura sofrida por Henry pelo padrasto. A professora viu o Tribunal do Júri desclassificar uma outra acusação, a de homicídio doloso.
Ao conceder o "perdão" à mãe do menino, a juíza Elizabeth Louro citou uma "cultura patriarcal" contra a então ré e que a ex de dr.Jairizinho foi vítima de "misoginia" da sociedade. Em março de 2021, no dia posterior ao enterro de Henry, Monique foi a um salão de beleza.
Na sequência, ao prestar depoimento na delegacia apresentou semblante sorridente. Apenas no julgamento, Monique atribiuiu a morte do único filho ao então companheiro.