Arthur Schopenhauer, filósofo: 'O destino embaralha as cartas, e nós jogamos'; essa frase ajuda a lidar com a síndrome da impostora
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 12:03
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Embora estivesse falando sobre o papel do acaso na vida, o filósofo alemão nos dá uma chave para lidar com algo que nos atormenta no trabalho
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Arthur Schopenhauer dedicou boa parte de sua vida a investigar por que sofremos e como podemos aliviar esse sofrimento. Sua obra está repleta de conselhos, mas ele nunca precisou enfrentar a síndrome da impostora. Ou, pelo menos, não há registros históricos disso.

Essa sensação de ser uma fraude, algo que afeta especialmente as mulheres, é tão comum que até Michelle Obama já confessou sofrer com ela. 

Embora o filósofo alemão não tenha vivenciado esse problema, uma de suas frases pode nos ajudar a superar a síndrome da impostora: “O destino embaralha as cartas, e nós jogamos”.

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A frase aparece em seu livro mais lido, “Aforismos para a Sabedoria de Vida”, uma demonstração de que a filosofia é, como já dizia Epicuro, um remédio para enfrentar a vida.

Embora tenha sido concebida para explicar o papel do acaso em nossa existência, ela descreve perfeitamente a tensão entre aquilo que não podemos controlar e o que depende de nós, algo que os estoicos já analisavam.

Quando o sucesso parece apenas sorte

Essa mesma tensão aparece na síndrome da impostora, acompanhada por aquela voz insistente que diz que o seu sucesso é um erro que alguém descobrirá mais cedo ou mais tarde.

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Quem sofre dessa síndrome costuma acreditar que suas conquistas são apenas resultado de um golpe de sorte e que a única maneira de evitar que uma suposta falta de competência seja descoberta é buscar a perfeição constantemente.

Nesse processo, o talento, a formação e as habilidades são deixados de lado.

A filosofia de Schopenhauer, porém, oferece três ideias que podem ajudar a desmontar essa armadilha mental e a enxergar as próprias conquistas de maneira mais justa.

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Você não distribui as cartas, mas escolhe como jogar

A síndrome da impostora se alimenta da ideia de que seus sucessos são fruto de um golpe de sorte e de que, se alguma coisa der errado, isso será a prova irrefutável de que você não merece ter chegado tão longe.

Em um jogo de cartas, que Schopenhauer usa como metáfora, existem dois momentos que devem ser muito bem diferenciados: a distribuição das cartas e a partida. A distribuição depende do acaso, mas a partida, não.

Na vida, acontece exatamente a mesma coisa.

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“A vida é um jogo de cartas, no qual as cartas são embaralhadas e distribuídas pelo destino”, escreveu Schopenhauer.

Nosso talento natural, nossas habilidades, nossa família, o momento histórico em que vivemos ou a oportunidade que surge representam as cartas que recebemos. Nosso contexto é a nossa mão, e o acaso desempenha um papel nela.

Segundo Schopenhauer, “a personalidade de uma pessoa determina antecipadamente a medida de sua possível fortuna”.

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Isso significa que, embora não possamos escolher as cartas que recebemos, a forma como as usamos depende de nossas características, decisões e atitudes.

Jogar bem essa mão depende da nossa capacidade de tomar decisões, mesmo sem termos todas as cartas vencedoras. Não foi a sorte que colocou você onde está, mas a maneira como você jogou a partida. Separar essas duas coisas é o primeiro passo para deixar de sentir que cada conquista é uma fraude.

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Aquilo que somos diante daquilo que representamos

Quando sofremos com a síndrome da impostora, sentimos pânico de que a “máscara caia” e as outras pessoas descubram que não somos tão capazes quanto parecemos.

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Curiosamente, porém, a palavra “pessoa” vem do latim persōna, a máscara que os atores usavam no teatro para interpretar um papel. Todos usamos uma máscara e representamos um papel no mundo. No entanto, não podemos confundir aquilo que somos com o papel que desempenhamos diante dos outros.

Schopenhauer dividia a felicidade em três planos: aquilo que uma pessoa é, aquilo que ela tem e aquilo que representa diante dos outros. Adivinhe qual deles tem maior peso em nossa felicidade.

“Aquilo que uma pessoa é contribui muito mais para a sua felicidade do que aquilo que ela tem ou aquilo que representa.”

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Quanto mais alguém se torna obcecado por sustentar uma versão idealizada de si mesmo para corresponder às expectativas alheias, maior é a distância entre esse “eu ideal” e o “eu real”.

Não se trata de fingir melhor, mas de se conhecer com honestidade e enxergar as próprias capacidades e limitações. Assim, quando não existe distância entre aquilo que somos e o que mostramos aos outros, também não há medo de que nos “descubram”, porque eles já nos veem como realmente somos.

Aceitar que o acaso também desempenha seu papel

A terceira ideia está relacionada ao controle. Schopenhauer sabia que muitas das coisas ao nosso redor escapam à nossa vontade e ao nosso controle. É nisso que se baseia a dicotomia do controle desenvolvida por Epicteto.

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O filósofo alemão chegou a afirmar que “a vida é uma questão de sorte, mas o sucesso é uma questão de talento”.

Quando você vive com a síndrome da impostora em seu encalço, também passa a agir como se precisasse controlar absolutamente tudo para provar que merece ocupar o lugar em que está.

Mas, se você reconhece que o acaso desempenha um papel na partida, sem permitir que isso diminua o mérito da maneira como joga suas cartas, consegue se libertar da exigência impossível de controlar tudo. Afinal, um alerta de spoiler: você não pode.

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No fim das contas, a frase de Schopenhauer — “O destino embaralha as cartas, e nós jogamos” — devolve o mérito a quem vive a própria vida.

Pode ser que o destino tenha distribuído suas cartas e que a sorte tenha jogado um pouco a seu favor. Mas, querida, se hoje você está onde está, é pela maneira como soube jogar com essas cartas. O mérito é inteiramente seu.

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