Três cafés por dia podem proteger contra o Alzheimer, segundo um estudo da Harvard: mas deve ser com cafeína
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 16:00
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Estudo de Harvard acompanhou mais de 130 mil pessoas por 43 anos e aponta que o consumo moderado de café com cafeína pode reduzir o risco de demência em 18%. Aos detalhes!
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O café faz parte da rotina diária de milhões de pessoas em todo o mundo. Para muitos (entre os quais me incluo), é o ritual indispensável que marca o início do dia. Mas, além do impulso de energia que proporciona, a ciência vem investigando há anos seus efeitos sobre a saúde, e os resultados continuam sendo tema de debate na comunidade médica. 

E não apenas porque os consumidores de café tenham um microbioma intestinal mais diverso do que os não consumidores, ou porque ele proteja contra infartos!

Um novo estudo da Universidade de Harvard acaba de trazer dados significativos sobre a relação entre o consumo de café e a proteção contra doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Os resultados, publicados na revista científica JAMA, indicam que beber entre duas e três xícaras de café com cafeína por dia está associado a um menor risco de desenvolver demência. No caso do chá, seria necessário consumir de uma a duas xícaras.

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Estudo acompanhou mais de 130 mil pessoas durante 43 anos

A pesquisa analisou os dados de 131.821 participantes do Nurses' Health Study e do Health Professionals Follow-up Study, dois dos estudos epidemiológicos mais extensos e duradouros que existem. O acompanhamento se estendeu por um período de até 43 anos, o que permite observar a evolução real da saúde cognitiva dos participantes a longo prazo.

Durante esse período, foram registrados 11.033 casos de demência. Ao comparar os dados, os pesquisadores observaram que aqueles que consumiam maiores quantidades de café com cafeína apresentavam um risco significativamente menor de desenvolver a doença. 

Em termos concretos, entre os que mais consumiam café com cafeína (cerca de 300 miligramas por dia), foram identificados 141 casos de demência a cada 100.000 pessoas, frente a 330 casos no grupo com menor consumo. Isso equivale a uma redução de risco de 18%.

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Mas atenção: beber mais café não potencializa o efeito e, além disso, o benefício só foi observado com café com cafeína - não com o descafeinado. Esses 300 miligramas necessários para alcançar os efeitos equivalem a três cafés americanos, três ou quatro expressos por dia, ou ainda quatro ou cinco cafés de cápsula!

Daniel Wang, cientista associado da Divisão Channing de Medicina de Rede do Mass General Brigham e professor assistente na Faculdade de Medicina de Harvard, explicou a origem da pesquisa: "Ao buscar possíveis ferramentas para a prevenção da demência, pensamos que algo tão comum como o café poderia ser uma intervenção dietética promissora, e nosso acesso exclusivo a dados de alta qualidade por meio de estudos que vêm sendo realizados há mais de 40 anos nos permitiu acompanhar essa ideia".

Os resultados mais expressivos foram observados entre aqueles que consumiam de duas a três xícaras de café com cafeína ou de uma a duas xícaras de chá por dia. Essas pessoas não apenas apresentaram menor risco de desenvolver demência, como também relataram menos problemas de memória e concentração durante as avaliações realizadas ao longo do estudo. 

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As mulheres do Nurses' Health Study tiveram resultados ligeiramente melhores em testes de memória e raciocínio, embora as diferenças tenham sido atenuadas ao considerar o desempenho cognitivo global.

O café descafeinado não serve para combater o Alzheimer

Um dado relevante é que o café descafeinado não apresentou esses benefícios, o que sugere que a cafeína pode ser o componente ativo responsável pelos efeitos neuroprotetores observados. O chá também mostrou resultados positivos semelhantes, reforçando a hipótese de que a cafeína desempenha um papel importante na proteção cognitiva.

Yu Zhang, estudante de doutorado na Harvard Chan School e coautor principal do estudo, destacou que os efeitos foram observados independentemente da predisposição genética: "Também comparamos pessoas com diferentes predisposições genéticas para desenvolver demência e vimos os mesmos resultados, o que significa que o café ou a cafeína provavelmente são igualmente benéficos para pessoas com alto e baixo risco genético de desenvolver demência".

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Tanto o café quanto o chá contêm compostos bioativos, entre eles polifenóis e cafeína, que em pesquisas anteriores demonstraram capacidades neuroprotetoras. Esses componentes podem ajudar a reduzir a inflamação e o dano celular, fatores associados ao declínio cognitivo.

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores reforçam a necessidade de cautela. Wang lembrou que "a magnitude do efeito é pequena e que existem muitas maneiras importantes de proteger a função cognitiva à medida que envelhecemos. Nosso estudo sugere que o consumo de café ou chá com cafeína pode ser uma peça desse quebra-cabeça".

Porque, como sempre quando se fala de alimentação e saúde, nenhum alimento ou bebida, isoladamente, pode prevenir doenças. Manter um estilo de vida saudável - que inclua uma dieta equilibrada, prática regular de exercícios, controle do estresse e boa qualidade do sono — continua sendo fundamental para proteger a saúde cerebral a longo prazo.

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