A derrota da Argentina para a Espanha por 1 a 0, na prorrogação, na final da Copa do Mundo, encerrando o sonho do bicampeonato mundial, colocou um ponto final em uma campanha emocionante da seleção liderada por Lionel Messi. Mas, muito antes do apito final, uma pequena cidade da Patagônia já havia entrado definitivamente para a história graças ao maior monumento já construído em homenagem ao craque argentino.
Segundo reportagem da agência Reuters, assinada por Leila Miller, com colaboração de Eliana Raszewski e Martin Alberto Cossarini, e informações do veículo Arte que Acontece, a cidade de Cutral Co, na província de Neuquén, transformou sua relação com o futebol e passou a atrair olhares do mundo inteiro após inaugurar uma impressionante estátua de Messi com 26 metros de altura.
Localizada no sul da Argentina, Cutral Co possui cerca de 40 mil moradores e tem sua economia ligada aos campos de petróleo da região de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de gás de xisto e petróleo do planeta. A cidade ganhou notoriedade em junho ao revelar um monumento gigantesco criado pelo artista local Aldo Beroisa, considerado pelas autoridades o maior dedicado ao camisa 10 argentino em todo o mundo.
Durante a campanha da seleção na Copa do Mundo, centenas de moradores acompanharam os jogos diante da escultura. Conforme relatou a Reuters, aproximadamente 300 pessoas assistiram à semifinal contra a Inglaterra em um telão instalado ao lado da estátua. Após a vitória argentina por 2 a 1, conquistada com dois gols no fim da partida, a comemoração tomou conta do local.
"Foi uma vitória conquistada com sofrimento", declarou o morador Lucas Romero, de 32 anos, à agência internacional. Em seguida, olhando para o monumento, resumiu o sentimento dos moradores: "É um belo reconhecimento de tudo o que Messi fez."
© Reprodução, X
Muito além do tamanho impressionante, a construção chama atenção pelo esforço envolvido. Segundo o Arte que Acontece, a estátua consumiu aproximadamente 70 toneladas de aço e ferro, exigiu cerca de 18 meses de trabalho e teve custo estimado em US$ 130 mil, valor financiado pela prefeitura da cidade.
O responsável pela obra foi Aldo Beroisa, um aposentado da ferrovia estatal que encontrou na escultura uma nova profissão após perder o emprego durante o processo de privatizações ocorrido na década de 1990.
Antes de eternizar Messi, o artista já havia produzido manequins, presépios, um dinossauro em tamanho real para o museu local, uma representação da Última Ceia e uma estátua de Jesus com 15 metros de altura. Quando surgiu a ideia de construir uma homenagem ao maior ídolo do futebol argentino, ele decidiu superar o monumento existente em Calcutá, na Índia, que possui 21 metros.
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Nem tudo, porém, aconteceu como planejado. O posicionamento do troféu da Copa do Mundo entre os joelhos da estátua acabou viralizando nas redes sociais e virou alvo de piadas. No X, antigo Twitter, teve gente dizendo que a reprodução do artilheiro parecia dançar a clássica "Na Boquinha da Garrafa", do É o Tchan, e até falando sobre ele estar sentado em um vibrador.
Segundo o Arte que Acontece, a decisão teve um motivo exclusivamente estrutural. Após a remoção da estátua de Messi em Calcutá, que apresentou problemas por causa dos ventos, Aldo Beroisa decidiu alterar o projeto para garantir maior estabilidade ao monumento de 70 toneladas.
Apesar das brincadeiras na internet, os visitantes parecem enxergar a obra de outra forma. O paleontólogo Federico Poblete, que viajou até Cutral Co para conhecer a escultura, resumiu sua impressão afirmando que "dá muito trabalho e esforço para a gente ter algo assim aqui na Argentina" e destacou que a obra é única no mundo.
A história da estátua também se mistura à da própria cidade. Após a privatização da estatal YPF, em 1992, milhares de moradores perderam seus empregos e Cutral Co chegou a ser considerada uma cidade sem futuro. Mesmo assim, seus habitantes permaneceram no local e transformaram o monumento em um símbolo de resistência coletiva.
Hoje, independentemente do resultado da final da Copa do Mundo, a gigantesca imagem de Lionel Messi permanece de pé no deserto da Patagônia, lembrando que a paixão pelo futebol foi capaz de transformar para sempre o destino de uma pequena cidade argentina.
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