A ficção científica sempre foi um dos meus gêneros cinematográficos favoritos. Talvez porque cresci com “Matrix”, me apaixonei por “Interestelar” e me maravilhei com “Ex Machina”.
Ou talvez seja porque a ficção científica fala de um presente disfarçado de futuro, porque nos permite imaginar e satisfazer nossa curiosidade, porque nos surpreende e nos emociona, porque pode ser divertida e porque, se for boa, será um espetáculo visual. Foi tudo isso que vi ontem no cinema com “Devoradores de Estrelas”, um blockbuster cheio de ternura, divertido e comovente, que me fez chorar e rir. E essa é a magia da ficção científica.
Apesar de “Torrente for President” estar arrasando (mais uma vez, ele é o salvador do cinema espanhol nas bilheterias), filmes como “Devoradores de Estrelas” são os que me fazem não perder a fé no cinema. Essa história, que muitos consideraram a nova “Interestelar”, teve seu primeiro trailer quebrando um recorde: 400 milhões de visualizações na primeira semana. Nunca antes um filme que não fosse uma sequência ou um remake havia acumulado esse número.
O filme de Phil Lord e Chris Miller, estrelado por Ryan Gosling, é a adaptação do romance “Projeto Hail Mary”, de Andy Weir, e conta a história de um homem que acorda em uma nave espacial sem saber quem é nem qual é sua missão. Na nave, não há mais sobreviventes além dele. E eu diria que você não precisa saber muito mais, mas, à medida que vai recuperando a memória, ele precisa descobrir como deter uma substância que está extinguindo o Sol e ameaça acabar com toda a humanidade. Felizmente, ele não estará sozinho.
Sandra Hüller, Lionel Boyce, Milana Vayntrub, Ken Leung, Liz Kingsman e Orion Lee completam o elenco deste maravilhoso filme de ficção científica tão terno quanto “Wall-E”, tão profundo quanto “A Chegada” e tão divertido quanto “O Projeto Adam”.
E apesar de nos lembrar de todos eles, e de “Interestelar” também, não deixa de ser único em seu gênero. É tudo o que um filme de ficção científica desse calibre precisa, incluindo uma certa base científica que nos permite imaginar que o que vemos poderia acontecer. Mas o melhor é que ele consegue algo mágico: faz com que você saia do cinema com um sorriso.
Para o mundo louco em que vivemos, que duas horas e meia terminem com um sorriso e uma sensação tão positiva quanto a que este filme deixa, é uma conquista a ser comemorada.