O clima entre o clube espanhol Valencia, a plataforma de streaming Netflix e a produtora Conspiração Filmes, responsável pelo documentário "Baila, Vini", ganhou destaque na imprensa internacional. A equipe de futebol acionou a Justiça para contestar a produção, lançada em maio deste ano, que retrata episódios de racismo sofridos por Vinicius Júnior, apontado como suposto affair de Virgínia Fonseca que já teve atitude para condenar o racismo, no Estádio Mestalla. A ação, revelada pelo jornal espanhol Marca, já movimenta não apenas o mundo esportivo, mas também o do entretenimento.
Segundo o Valencia, o documentário teria distorcido a realidade e manchado a imagem do clube e de sua torcida. Em uma queixa formal apresentada ao Tribunal nº 1 de Valência, a equipe pede a retirada de legendas em que torcedores aparecem gritando "mono, mono" (macaco, em português). O clube insiste que os cânticos eram "tonto, tonto" (bobo, em português). Além disso, exige indenização financeira e que a decisão judicial seja incorporada ao filme.
O caso não envolve apenas o clube. O sindicato majoritário da Polícia Nacional da Espanha também se manifestou contra a produção. Em comunicado, a entidade declarou "firme rejeição às insinuações de racismo feitas no documentário recém-lançado pela Netflix sobre o jogador do Real Madrid Vinicius Jr., que questiona o profissionalismo e a neutralidade dos agentes da Polícia Nacional".
Para o Valencia, episódios racistas partiram de casos isolados, já solucionados com a identificação e prisão dos agressores. Em 2024, três torcedores foram condenados a oito meses de prisão, além de proibidos de frequentar estádios por dois anos.
Em 21 de maio de 2023, durante a partida entre Valencia e Real Madrid pelo Campeonato Espanhol, Vini Jr. foi alvo de insultos racistas desde a chegada do ônibus da equipe. Dentro de campo, os ataques continuaram e o jogador apontou torcedores que o imitavam de forma pejorativa. O jogo chegou a ser paralisado e, após uma confusão, o brasileiro foi expulso nos minutos finais.
Nas redes sociais, o atacante desabafou. "Cada vez eu tô mais triste e tenho menos vontade de jogar", escreveu, criticando também a postura da LaLiga, a quem acusa de minimizar o racismo. A frase se tornou um retrato do cansaço de quem convive com preconceito constante.
Depois do episódio, o Valencia prometeu banir os torcedores racistas, mas acusou Vini Jr. e o técnico Carlo Ancelotti de generalizarem ao sugerir que todo o estádio havia se unido nos cânticos. A imprensa local também passou a tratar o jogador como desafeto, e cada visita do brasileiro a Valência virou palco de tensão.
A batalha judicial não é apenas sobre legendas ou indenização. O processo toca em um tema ainda sensível no futebol europeu: como lidar com o racismo dentro e fora dos estádios. Enquanto a Netflix defende sua versão documental, o Valencia luta para proteger sua imagem diante da opinião pública.
No centro da polêmica, Vinicius Júnior segue sendo voz ativa contra o preconceito. Sua luta exposta em "Baila, Vini" incomoda, mas também escancara uma ferida que ainda está longe de cicatrizar na Espanha.
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