Enquanto o "BBB 26" promete ser histórico, com dinâmica inédita, o Purepeople faz você relembrar um episódio intrigante do reality. Pouca gente se recorda, mas o início do Big Brother Brasil, em 2002, que tinha Marisa Orth e Pedro Bial como apresentadores, esteve longe de ser tranquilo.
Logo nos primeiros dias do programa que mudaria a televisão brasileira, uma situação delicada quase tirou da casa justamente quem havia feito história. O primeiro líder do BBB, Antônio Sérgio Tavares Campos, conhecido como Serginho, esteve muito perto de deixar o reality não por estratégias internas de jogo, mas por um problema sério fora das câmeras.
O BBB ainda engatinhava quando uma verdadeira bomba veio à tona. O cabeleireiro franco-angolano, estava em situação irregular no Brasil no início de 2002. A descoberta foi tão grave que ameaçou sua permanência não só no reality, mas no país.
No dia 4 de fevereiro de 2002, agentes da Polícia Federal foram até o Projac, hoje Estúdios Globo, para notificar o participante. Ele recebeu uma autuação formal e foi informado de que teria no máximo oito dias para deixar o Brasil, sob pena de deportação. Para quem acompanhava o programa diariamente, o susto foi real, ainda que grande parte do público só tenha tomado conhecimento do caso anos depois.
De acordo com Alcyr Vidal, delegado da Polícia Federal, a situação de Serginho já era considerada irregular desde dezembro de 2001. O problema começou quando foi rescindido o contrato de trabalho que o mantinha legalmente no país. Sem esse vínculo, ele passou a viver no Brasil sem a documentação exigida.
A notícia se espalhou rapidamente nos bastidores, gerando especulações e apreensão dentro e fora da casa. Afinal, tratava-se do primeiro líder da história do BBB, um personagem central daquele momento inicial do programa.
Diante do impasse, a produção do BBB chamou Serginho ao confessionário no dia 8 de fevereiro. Ali, ele recebeu uma informação decisiva. Graças a uma decisão judicial, poderia permanecer no Brasil por mais seis meses, tempo suficiente para seguir no jogo enquanto sua situação era analisada.
Os advogados Silvia Regina Henriques e José Carlos Nogueira entraram com um pedido de habeas corpus que mudou o rumo da história. A própria Silvia explicou ao jornal O Globo: “Entramos com um pedido de habeas corpus. A juíza nos concedeu liminar e expediu ofício para a Polícia Federal, solicitando mais informações sobre o caso”.
Com a boa notícia, o clima na casa mudou completamente. Serginho comemorou com os colegas de confinamento, estourando um champanhe na varanda. Além do título de primeiro líder, Serginho também viveu um romance com Vanessa durante o confinamento.
Apesar de ter superado o susto da deportação, ele não chegou à final. Foi o nono eliminado, em 31 de março de 2002, pouco antes da grande decisão que consagrou Kleber Bambam como campeão.
23 anos depois do programa, Serginho segue morando no Brasil. Desde 2005, ele mantém um salão de beleza e afirma, em entrevistas, que ainda é reconhecido por sua passagem pelo reality. No entanto, a regularização de sua situação não foi simples.
Em entrevista ao jornal O Globo, em 2019, ele revelou momentos difíceis: “Cheguei a ficar escondido na casa de amigos. Foi uma situação muito chata e sem cabimento. Infelizmente, algumas pessoas se aproveitaram da minha exposição na mídia para tentar aparecer. Mas isso é passado. Hoje, são apenas tristes memórias”.
O caso ganhou ainda mais repercussão quando Boninho, diretor do BBB, comentou o episódio em entrevista à revista Playboy, em maio de 2002. Ele garantiu que a situação não foi usada como estratégia de audiência. “Nada estava previsto. Quando recebemos a notificação, chamamos os advogados dele e o nosso departamento jurídico para analisar o caso e conseguimos esticar a permanência dele no país”, afirmou.
Boninho ainda surpreendeu ao revelar que sabia quem havia feito a denúncia. “Não seríamos loucos de colocar o Sérgio lá para ele enfrentar a ameaça de deportação para levantar a audiência. E mais: eu sei quem foi que dedurou”.
Segundo ele, tratava-se de “um repórter de um grande jornal de São Paulo”, que investigou a situação de Serginho e avisou a Polícia Federal.
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