No calor de uma manifestação bolsonarista realizada em Belém, no Pará, Michelle Bolsonaro decidiu subir o tom. E subiu muito. Em cima de um carro de som, neste domingo (3), a ex-primeira-dama, que teve um parente preso por pornografia infantil, disparou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma sequência de adjetivos nada sutis: "irresponsável", "mentiroso" e o mais polêmico "cachaceiro sem-vergonha", segundo informações do portal UOL.
O xingamento, feito diante de uma multidão de apoiadores, foi registrado pelo veículo e viralizou nas redes, reacendendo os boatos de que Michelle estaria se aquecendo para 2026. Afinal, não é de hoje que seu nome circula como possível plano B do PL caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível. Mas será que é isso mesmo?
Na manhã seguinte ao discurso inflamado, já na segunda-feira (4), Michelle foi às redes sociais apagar o incêndio político. De forma direta e, visivelmente irritada com especulações da imprensa, ela negou, nos stories do Instagram, qualquer interesse em disputar a Presidência da República nas próximas eleições.
“Estamos focados em visitar os municípios estratégicos de cada Estado, capacitando nossas mandatárias e lideranças regionais”, afirmou, referindo-se ao trabalho à frente do PL Mulher, ala feminina do Partido Liberal. “Há trabalho. Seriedade. Transparência.
Essa interpretação distorcida partiu, única e exclusivamente, da senhora e de suas fontes furadas”, alfinetou a ex-primeira-dama, em resposta a uma reportagem que ligava sua movimentação política a uma candidatura presidencial.
Durante o ato em Belém, Michelle também mirou o Supremo Tribunal Federal. Sem citar diretamente o ministro Alexandre de Moraes - que decretaria a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro no dia seguinte (4) -, ela criticou a mudança de postura do PT em relação à sua indicação ao STF. “Hoje eles veem como um aliado”, provocou.
A escolha de Michelle por Belém causou desconforto entre aliados. Parte do grupo esperava que ela estivesse na avenida Paulista, epicentro simbólico das manifestações bolsonaristas. Houve quem a chamasse de “teimosa”. Outros preferiram o termo “birra”. Mas, em nota, sua assessoria explicou que ela já tinha agenda marcada em Marabá, também no Pará, e resolveu participar do ato em Belém por estar na região.
Na mesma segunda-feira em que Michelle dava explicações, Jair Bolsonaro virou notícia em outro front... o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou sua prisão domiciliar e autorizou uma operação de busca e apreensão na casa do ex-presidente, com direito à apreensão de celular!
A decisão faz parte de investigações em andamento no STF, e coloca ainda mais pressão sobre o futuro político da família Bolsonaro e, consequentemente, sobre o papel que Michelle pode (ou não) desempenhar em 2026.
Mesmo rejeitando a corrida presidencial, Michelle não ficará longe das urnas. Segundo o próprio Bolsonaro declarou a jornalistas no dia 17 de julho, de acordo com o Poder 360, sua esposa deve disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. O plano, segundo ele, é ampliar a bancada do PL para “equilibrar os Poderes”.
O movimento pode ser estratégico. Ao evitar o embate direto com Lula nas urnas, Michelle fortalece sua base política e se posiciona como liderança consolidada do bolsonarismo feminino.