Envelhecer nem sempre significa perder alguma coisa e, para Brendan Fraser, ator dono de uma das carreiras mais particulares de Hollywood, ficar mais velho também significou ganhar perspectiva, tranquilidade e uma relação mais saudável consigo mesmo.
Em uma entrevista ao Fresh Air, o intérprete falou com uma sinceridade pouco habitual sobre a pressão que sentiu durante anos, a insegurança que ainda o acompanha e a maneira como a passagem do tempo o ajudou a distinguir o que é importante daquilo que simplesmente não merece sua energia.
“É um alívio envelhecer. Tenho menos preocupações e não deixo que coisas realmente supérfluas me incomodem tanto quanto antes”, explicou Fraser ao refletir sobre como mudou sua maneira de encarar a vida.
Depois de décadas sob os olhares de Hollywood, o ator afirma que agora se preocupa mais com questões importantes e aprendeu a relativizar aquilo que antes poderia afetá-lo demais.
Uma de suas ferramentas consiste em se perguntar qual seria o pior cenário possível diante de determinada situação e, a partir daí, decidir se ela realmente merece sua preocupação.
Essa nova perspectiva também está relacionada à maneira como Fraser aprendeu a olhar para o próprio corpo e para a carreira.
Durante seus primeiros anos como estrela de filmes como “A Múmia”, o ator chegou a pensar que precisava provar constantemente que merecia estar ali, reconhecendo que levou o corpo longe demais porque associava o esforço e a dor à ideia de estar trabalhando o suficiente.
Com o tempo, diversas lesões e cirurgias o obrigaram a desacelerar e entender que cuidar de si também faz parte da profissão.
A maturidade também parece ter mudado sua relação com a insegurança: o ator admitiu que ainda luta diariamente com a autoconfiança e que não quer se acomodar depois de ter conquistado um Oscar ou trabalhado com diretores como Martin Scorsese.
Para ele, cada novo projeto representa uma oportunidade de continuar aprendendo e crescendo.
Essa atitude se conecta a uma infância marcada pelas constantes mudanças de cidade e de escola, uma experiência que fez com que se sentisse durante muito tempo como “o garoto novo” que precisava encontrar seu lugar repetidamente.
Talvez por isso sua definição de lar tenha acabado sendo muito mais simples do que se poderia esperar. Fraser explica que passou boa parte da infância tentando encontrar um lugar ao qual pertencer, até compreender que o lar poderia estar onde quer que ele estivesse.
Algo semelhante parece acontecer agora com sua própria vida: ele já não precisa provar constantemente quem é ou quanto vale.
Após anos de pressão, lesões, mudanças profissionais e uma grande ressurreição cinematográfica, o ator parece ter encontrado algo mais valioso do que a juventude: a liberdade de escolher o que realmente merece sua atenção.
Para Fraser, envelhecer não significa abrir mão da ambição. Pelo contrário, ele ainda quer fazer filmes que as pessoas queiram assistir e continua buscando histórias que lhe permitam aprender.
A diferença é que agora parece encarar essa ambição de outro lugar, porque crescer também significa saber quando lutar, quando deixar as coisas para lá e, sobretudo, entender que nem tudo merece uma resposta.