Quem levou a melhor foi a Unidos do Viradouro, consagrando-se campeã do Carnaval 2026 do RJ. A apuração dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro aconteceu nesta quarta-feira (18), na Cidade do Samba, na Zona Portuária, e não faltaram emoção, expectativa e também tensão nos bastidores. Ao todo, 12 escolas de samba disputaram o título de campeã.
Mas, antes mesmo da leitura das notas, um assunto já movimentava o mundo do samba: um racha envolvendo nomes de peso do jogo do bicho, que teria esquentado o clima às vésperas do desfile.
A campeã Unidos do Viradouro somou 270,0 pontos. Logo atrás, em uma disputa acirrada, ficaram Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Vila Isabel, ambas com 269,9 pontos.
Confira a ordem completa da classificação:
1. Unidos do Viradouro – 270,0
2. Beija-Flor de Nilópolis – 269,9
3. Unidos de Vila Isabel – 269,9
4. Acadêmicos do Salgueiro – 269,7
5. Imperatriz Leopoldinense – 269,4
6. Estação Primeira de Mangueira – 269,2
7. Unidos da Tijuca – 268,7
8. Acadêmicos do Grande Rio – 268,7
9. Paraíso do Tuiuti – 268,5
10. Portela – 267,9
11. Mocidade Independente de Padre Miguel – 267,4
12. Acadêmicos de Niterói – 264,6 - que será rebaixada para a Série Ouro em 2027.
Na terça-feira (17), poucas horas antes de entrar na avenida, o Acadêmicos do Salgueiro divulgou um comunicado afirmando “sua plena confiança na realização de julgamentos justos” e ressaltando confiança na “lisura, no comprometimento e na condução séria” da Liesa e de seu presidente, Gabriel David.
A nota chamou atenção porque segundo reportagem de Rafael Soares, publicada em O Globo, o patrono do Salgueiro, Adilson Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, estaria inconformado com o resultado do carnaval de 2025, quando a escola não voltou para o desfile das campeãs.
De acordo com a apuração de O Globo, Adilsinho, atualmente foragido, atribuiu as notas baixas à má relação que mantém com bicheiros da chamada “velha guarda”, como Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, patrono da Vila Isabel, e Anísio Abrahão David, ligado à Beija-Flor.
Em ligação interceptada pela Polícia Federal, ele teria manifestado o desejo de criar uma nova organização. “O ‘verde e branca’ falou comigo de fazer uma nova organização. Só que eu não consigo falar com ele. Eu também quero, eu também quero poder”, disse. Segundo a PF, “verde e branca” seria uma referência a Rogério Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel.
Ainda conforme a reportagem, a nova organização teria como objetivo superar a “velha cúpula” criada na década de 1970 para dividir territórios e apaziguar conflitos. Em outro trecho divulgado, Adilsinho declarou: “Já deu, já passou! É outra geração agora! Tem que entender! Não tem santo... é tudo malandro! Tudo bandido mesmo! Trata a gente bem na vaselina, mas quer ser centralizador! A velha cúpula já foi há muito tempo”.
Desde que o áudio se tornou público, em 2022, as relações entre Adilsinho e a chamada velha cúpula teriam se estremecido. Após o carnaval de 2025, ele optou por discrição, pedindo que retirassem menções a seu nome da quadra e do barracão do Salgueiro, além de orientar integrantes a evitarem citar seu nome em entrevistas.
Segundo a reportagem, a aposta seria desvincular sua imagem da escola para que os jurados pudessem avaliar o desfile sem interferências externas. Mesmo com quatro mandados de prisão em seu nome, o patrono teria investido fortemente no carnaval deste ano.