O seriado “Chaves” retornou à grade do SBT no final do ano passado e, sem chocar ninguém, voltou a ser um dos programas mais assistidos da emissora. Houve dias em que o seriado, reprisado à exaustão, foi a maior audiência do dia no canal fundado por Silvio Santos. O que muita gente não sabe é que o próprio empresário precisou brigar para colocar o programa no ar.
A Televisa ofereceu “Chaves” para o SBT após o sucesso da exibição de “Os Ricos Também Choram”. O objetivo da emissora era expandir internacionalmente o seriado, assim como fazia com suas novelas mexicanas. O Brasil foi um dos últimos países da América Latina a exibir o produto.
“'Chaves' entrou como um prêmio de consolação para Silvio Santos. O argumento da Televisa é de que fazia muito sucesso com o público latino”, contou José Salathiel Lage, ex-diretor do SBT, em entrevista ao site Na Telinha.
A entrada de “Chaves” foi motivo de rejeição nos bastidores do SBT. O motivo? A estética de baixo custo do programa, que em nada lembrava o padrão das produções exibidas pela Rede Globo, de quem o canal de Silvio Santos queria se aproximar.
“Eram cenários e iluminação pobres, nada a ver com o tão famoso padrão Globo de qualidade. Silvio falava: ‘Quero fazer uma televisão popular, não de elite’. Eu era um dos que defendiam um padrão mínimo de qualidade, mas quando fui defender 'Chaves' ele me perguntou se valia a pena e eu respondi: ‘Vale, apesar de não ter uma qualidade esperada, apesar de não ser moderno por ser do início da década de 1970, apesar de falar muita coisa do México, eu vejo na essência a pureza do circo que conheci quando criança’”, comenta o ex-diretor.
A palavra final veio do próprio Silvio, após ser convencido da força daquele formato. “Silvio Santos respondeu: 'Muito bem. Sou o dono, pago o salário de vocês e, se der errado a série, o prejuízo será meu e não de vocês. Já fechei o contrato e já está em processo de importação'”, expôs o gerente comercial do Grupo Silvio Santos, Rubens Passaro.
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