Cantora da época de ouro do rádio, "Favorita da Marinha", e imortalizada nos carnavais com suas marchinhas (como "Chiquita Bacana" e "Tomara que Chova"), Emilinha Borba nos deixou há exatos 21 anos, em 3 de outubro de 2005. A artista morreu aos 82 anos em decorrência de um infarto fulminante em sua casa, no Rio de Janeiro.
Mãe de um único filho e avó de três netos, a artista havia sido internada uns quatro meses antes com traumatismo craniano após cair de uma escada. Nome icônico da Rádio Nacional nas décadas de 1940 e 1950 e nascida em 31 de agosto de 1923 no bairro da Mangueira, na mesma cidade, Emília Savana da Silva Borba viu o pai perder uma fortuna com a má administração dos negócios.
Após perder o genitor, a futura artista, nascida em família de sete filhos, foi trabalhar como roupeira no Cassino da Urca.
Como era menor de idade na época, precisou somar três anos à data de nascimento para poder se profissionalizar como cantora após ser contratada por um empresário. Em 1939, Emilinha Borba gravaria o primeiro de uma série de 117 discos, onde mostrou além das marchinhas carnavalescas, boleros ("Dez Anos", o principal deles) e rumbas, fora o samba-canção e o baião - ao todo, foram 216 músicas gravadas.
Eleita a "Favorita da Marinha" pouco menos de 10 anos depois, 1947, se tornaria rival clássica de outra cantora: Marlene, artista morta em junho de 2014 aos 91 anos. Se no programa de rádio de César de Alencar (1917-1990), Emilinha era a principal atração, Marlene era o destaque do programa de Manuel Barcelos (1911-1983).
A histórica rivalidade se alongou por quase 50 anos até a trégua em fevereiro de 1997. E vamos entender melhor como começou essa rixa entre duas das maiores cantoras do rádio brasileiro.
Naquele ano, as intérpretes de "Vai Com Jeito" (Emilinha) e "Lata D'Água" (Marlene) planejavam uma turnê para comemorar o fim da rivalidade iniciada em 1949, portanto 48 anos antes. Segundo o jornal "O Globo", Marlene era patrocinadora por uma cervejaria e comprou os votos do concurso "Rainha do Rádio".
A estratégia lhe rendeu a vitória e a rival ficou apenas na 3ª colocação. "Foi uma guerra. Ficamos muitas vezes sem nos falar, mas nunca uma desejou o mal da outra. Eu amo a Marlene de verdade", afirmou a "Favorita da Marinha" e premiada com o Troféu Imprensa Especial em 1995, acrescentando que não contou com apoio de ninguém, tirando os fãs.
"Você não me perdoa. Esse concurso está engasgado na sua vida", rebateu Marlene, que perdeu com Emilinha um patrocínio de R$ 30 mil. O motivo? Na época não aceitaram cantar juntas.
Pensa que acabou? Naquela entrevista de 27 de fevereiro de 1997, Emilinha acusou Marlene de "comer" os "Rs" e chamá-la de "Emilinha Boba". "Ela mexia no cabelo e era o sinal para eu ser vaiada pelos fãs dela", retrucou a ex-crooner de boates ainda sobre os tempos do auge da rádio Nacional.
"Acho que é um carma de vidas passadas", finalizou Marlene. Anos depois, a cantora chorou a morte de Emilinha e ficou a noite sem dormir. "Me disse que metade dela foi embora junto com a Emilinha", afirmou o médico da artista no dia do velório e sepultamento da cantora