A psicologia revela: muitas pessoas tentam reconciliação no Dia dos Pais, mas podem acabar se machucando. 'Existe uma expectativa cultural', diz psicóloga
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 08:02
Dia dos Pais pode despertar conflitos familiares, e a psicóloga explica por que a reconciliação nem sempre é o melhor caminho para preservar a saúde emocional
A psicologia revela: muitas pessoas tentam reconciliação no Dia dos Pais, mas podem acabar se machucando. 'Existe uma expectativa cultural', diz psicóloga Dia dos Pais pode despertar conflitos familiares, e a psicóloga Daniela Pereira explica por que a reconciliação nem sempre é o melhor caminho para preservar a saúde emocional Existe uma expectativa cultural pela reconciliação entre pais e filhos, mas a psicóloga Daniela Pereira afirma que cada vínculo familiar precisa ser analisado de acordo com a história vivida O afastamento de um familiar não significa falta de amor, segundo a psicóloga Daniela Pereira, que considera que a distância pode ser uma decisão protetiva em determinadas situações O Dia dos Pais pode aumentar a pressão por uma reconciliação familiar, mas a psicologia considera que estabelecer limites também pode ser uma forma de preservar a saúde emocional

Neste Domingo (09), o Brasil celebra o Dia dos Pais, uma data que costuma despertar lembranças, sentimentos e reflexões sobre as relações familiares. Para algumas pessoas, porém, a ocasião pode trazer também conflitos antigos e a pressão para retomar uma convivência que nem sempre é saudável.

Em entrevista exclusiva ao Purepeople, a psicóloga clínica Daniela Pereira (CRP: 09/014487), chama atenção para uma expectativa cultural bastante presente em datas como essa: a ideia de que pais e filhos precisam necessariamente chegar à reconciliação, independentemente da história construída entre eles.

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Por que o Dia dos Pais pode criar pressão pela reconciliação?

Segundo a psicóloga, existe uma cobrança social para que os conflitos familiares sejam resolvidos, especialmente em momentos simbólicos como o Dia dos Pais. A expectativa pode fazer com que algumas pessoas sintam que precisam se aproximar novamente, mesmo quando ainda existem feridas emocionais importantes.

“Essa é uma reflexão muito importante, principalmente em datas como o Dia dos Pais. Existe uma expectativa cultural muito forte de que toda relação entre pais e filhos precisa terminar em reconciliação, como se amar significasse permanecer perto, independentemente da história vivida com aquela pessoa”, explica Daniela Pereira.

A especialista destaca que a psicologia não considera que exista uma única maneira correta de lidar com um vínculo familiar. Cada história precisa ser compreendida individualmente, levando em conta as experiências vividas e os sentimentos envolvidos.

Existe uma expectativa cultural pela reconciliação entre pais e filhos, mas a psicóloga Daniela Pereira afirma que cada vínculo familiar precisa ser analisado de acordo com a história vivida © Reprodução/Instagram
Amar significa estar sempre perto dos pais?

Para Daniela, não necessariamente. Ela explica que existem relações familiares construídas com cuidado e afeto, mas também há histórias marcadas por situações que podem provocar sofrimento persistente.

“Mas a psicologia não trabalha dessa forma. Nós entendemos que cada vínculo é único e que existem histórias marcadas por cuidado e afeto, mas também existem histórias marcadas por violência, negligência, abuso, autoritarismo ou sofrimento persistente”, afirma a psicóloga.

Nesse contexto, tentar uma reconciliação apenas porque uma data comemorativa sugere que esse seria o comportamento esperado pode não representar a melhor escolha para todos. A avaliação precisa considerar o impacto que aquela relação exerce sobre a saúde emocional da pessoa.

Dia dos Pais pode despertar conflitos familiares, e a psicóloga Daniela Pereira explica por que a reconciliação nem sempre é o melhor caminho para preservar a saúde emocional © Reprodução/Instagram
Quando estabelecer limites pode ser mais saudável?

De acordo com a especialista, o papel da terapia não é convencer alguém a retomar uma relação familiar. O processo terapêutico pode ajudar a pessoa a compreender a própria história, elaborar as dores e reconhecer os sentimentos antes de decidir qual caminho deseja seguir.

“A terapia não tem como objetivo convencer alguém a se reconciliar. O objetivo é ajudar a pessoa a compreender a sua história, elaborar a dor, reconhecer seus sentimentos e fazer escolhas que preservem a sua saúde emocional”, diz Daniela Pereira.

Essas escolhas podem assumir diferentes formas. Em determinadas situações, uma aproximação pode acontecer de maneira mais saudável. Em outras, pode ser necessário estabelecer limites claros para proteger o próprio bem estar emocional.

Violência, negligência, abuso e autoritarismo podem marcar relações entre pais e filhos, e a psicóloga Daniela Pereira reforça que nem todo vínculo familiar é necessariamente saudável © Reprodução/RecordTV
Afastamento significa falta de amor?

A resposta apresentada pela psicóloga é que não. Para ela, manter distância de alguém da família não significa necessariamente apagar a importância daquela pessoa ou negar os sentimentos existentes.

“Em alguns casos, esse caminho leva a uma aproximação mais saudável. Em outros, leva ao estabelecimento de limites bem claros. Em algumas situações, o afastamento pode ser a decisão mais protetiva. Isso não significa falta de amor, significa reconhecer que nem toda relação familiar é necessariamente uma relação saudável”, explica.

Por isso, o Dia dos Pais também pode ser um momento de reflexão sobre os próprios limites. Em vez de seguir uma expectativa de reconciliação a qualquer custo, cada pessoa pode olhar para a própria história e considerar o que é necessário para preservar sua saúde emocional.

“Eu costumo dizer que o vínculo familiar é importante, mas nenhuma relação deve custar a saúde mental de alguém. Então, é possível amar uma pessoa, reconhecer a sua importância na sua história e, ainda assim, compreender que precisamos estabelecer limites para continuar saudáveis conosco”, conclui Daniela Pereira.

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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
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