Neste Domingo (09), o Brasil celebra o Dia dos Pais, uma data que costuma despertar lembranças, sentimentos e reflexões sobre as relações familiares. Para algumas pessoas, porém, a ocasião pode trazer também conflitos antigos e a pressão para retomar uma convivência que nem sempre é saudável.
Em entrevista exclusiva ao Purepeople, a psicóloga clínica Daniela Pereira (CRP: 09/014487), chama atenção para uma expectativa cultural bastante presente em datas como essa: a ideia de que pais e filhos precisam necessariamente chegar à reconciliação, independentemente da história construída entre eles.
Segundo a psicóloga, existe uma cobrança social para que os conflitos familiares sejam resolvidos, especialmente em momentos simbólicos como o Dia dos Pais. A expectativa pode fazer com que algumas pessoas sintam que precisam se aproximar novamente, mesmo quando ainda existem feridas emocionais importantes.
“Essa é uma reflexão muito importante, principalmente em datas como o Dia dos Pais. Existe uma expectativa cultural muito forte de que toda relação entre pais e filhos precisa terminar em reconciliação, como se amar significasse permanecer perto, independentemente da história vivida com aquela pessoa”, explica Daniela Pereira.
A especialista destaca que a psicologia não considera que exista uma única maneira correta de lidar com um vínculo familiar. Cada história precisa ser compreendida individualmente, levando em conta as experiências vividas e os sentimentos envolvidos.
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Para Daniela, não necessariamente. Ela explica que existem relações familiares construídas com cuidado e afeto, mas também há histórias marcadas por situações que podem provocar sofrimento persistente.
“Mas a psicologia não trabalha dessa forma. Nós entendemos que cada vínculo é único e que existem histórias marcadas por cuidado e afeto, mas também existem histórias marcadas por violência, negligência, abuso, autoritarismo ou sofrimento persistente”, afirma a psicóloga.
Nesse contexto, tentar uma reconciliação apenas porque uma data comemorativa sugere que esse seria o comportamento esperado pode não representar a melhor escolha para todos. A avaliação precisa considerar o impacto que aquela relação exerce sobre a saúde emocional da pessoa.
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De acordo com a especialista, o papel da terapia não é convencer alguém a retomar uma relação familiar. O processo terapêutico pode ajudar a pessoa a compreender a própria história, elaborar as dores e reconhecer os sentimentos antes de decidir qual caminho deseja seguir.
“A terapia não tem como objetivo convencer alguém a se reconciliar. O objetivo é ajudar a pessoa a compreender a sua história, elaborar a dor, reconhecer seus sentimentos e fazer escolhas que preservem a sua saúde emocional”, diz Daniela Pereira.
Essas escolhas podem assumir diferentes formas. Em determinadas situações, uma aproximação pode acontecer de maneira mais saudável. Em outras, pode ser necessário estabelecer limites claros para proteger o próprio bem estar emocional.
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A resposta apresentada pela psicóloga é que não. Para ela, manter distância de alguém da família não significa necessariamente apagar a importância daquela pessoa ou negar os sentimentos existentes.
“Em alguns casos, esse caminho leva a uma aproximação mais saudável. Em outros, leva ao estabelecimento de limites bem claros. Em algumas situações, o afastamento pode ser a decisão mais protetiva. Isso não significa falta de amor, significa reconhecer que nem toda relação familiar é necessariamente uma relação saudável”, explica.
Por isso, o Dia dos Pais também pode ser um momento de reflexão sobre os próprios limites. Em vez de seguir uma expectativa de reconciliação a qualquer custo, cada pessoa pode olhar para a própria história e considerar o que é necessário para preservar sua saúde emocional.
“Eu costumo dizer que o vínculo familiar é importante, mas nenhuma relação deve custar a saúde mental de alguém. Então, é possível amar uma pessoa, reconhecer a sua importância na sua história e, ainda assim, compreender que precisamos estabelecer limites para continuar saudáveis conosco”, conclui Daniela Pereira.