Micheline Presle faz parte do grupo de artistas que deixaram sua marca na história do cinema internacional, sobretudo na indústria francesa. Nascida em Paris, em 1922, a atriz construiu uma longa trajetória nas telas, interpretando diferentes personagens e trabalhando com diretores renomados.
O público se lembra especialmente de suas atuações em filmes como 'Falbalas, Le Diable au corps' e 'Vénus Beauté (Institut)'. Em 2004, sua carreira foi reconhecida com um César honorário, concedido pelo conjunto de sua obra.
A atriz morreu em 21 de fevereiro de 2024, aos 101 anos. Nos últimos anos de vida, morou na Maison Nationale des Artistes (Casa Nacional dos Artistas), em Nogent-sur-Marne, no departamento de Val-de-Marne, um local que é bem diferente da imagem tradicional de uma casa de repouso.
Instalado em uma propriedade histórica, o espaço acolhe idosos ligados ao mundo artístico e permite que eles continuem em contato com a cultura. O ambiente combinava com o perfil de Micheline Presle, que nunca perdeu o interesse pelo cinema e pelas novas gerações de artistas.
Conhecida como Casa Nacional dos Artistas, a residência reúne dois edifícios históricos chamados castelos Smith-Champion. O mais antigo foi reformado, enquanto o segundo foi construído respeitando as características do local. O complexo fica em um parque de dez hectares, com paisagismo em estilo inglês, e tem capacidade para receber até 80 moradores.
As propriedades, que datam dos séculos XVII e XVIII, pertenceram a duas irmãs: Madeleine Smith-Champion, pintora, e Jeanne Smith, fotógrafa. Em 1944, elas doaram o local ao Estado com a condição de que uma das casas fosse destinada a artistas e escritores idosos. Assim surgiu a proposta da instituição, que mantém a criatividade como parte central de sua rotina.
Os moradores têm à disposição um ateliê de pintura e desenho, pianos e uma sala de conferências. A programação também inclui concertos, leituras, exibições, exposições e outros eventos culturais. Essas atividades permitem que os artistas continuem desenvolvendo seu trabalho e conheçam novas obras mesmo em idades mais avançadas.
Antes de se mudar para a residência, a atriz viveu em Haute-Isle, na região de Val-d'Oise, uma vila conhecida pelas casas antigas e por sua igreja escavada na falésia. Foi, porém, em Nogent-sur-Marne que passou os últimos anos de vida.
Micheline Presle sempre demonstrou seu apreço pelo cinema e pelas pessoas que contribuem para sua evolução. Ao receber o César honorário, em 2004, destacou a importância dos jovens cineastas, roteiristas e diretores para sua trajetória. Na ocasião, definiu o cinema como "a história mais bonita da minha vida".
A atriz também enfrentou uma grande perda familiar com a morte da filha, a diretora Tonie Marshall, em 2020, aos 68 anos, quatro anos antes de sua própria morte. Foi um capítulo doloroso de sua história, especialmente porque mãe e filha trabalharam juntas em vários filmes, entre eles 'Pas très catholique', 'Vénus Beauté (Institut)' e 'France Boutique'.
Até o fim da vida, Micheline Presle manteve uma forte ligação com o universo cinematográfico, que fez parte de sua trajetória durante décadas. Na residência histórica, cercada por um grande parque e com dois castelos que acolhem artistas idosos, ela pôde continuar vivendo em um ambiente que preservava sua conexão com a cultura e sua paixão pelo cinema.