A recente descoberta, em Portugal, de um passaporte que pertenceu à Eliza Samudio reacendeu debates, teorias e muita desinformação nas redes sociais. O documento, que voltou a circular após anos, levantou dúvidas sobre sua veracidade e até especulações absurdas sobre a possibilidade de a jovem estar viva e morando na Europa, o que levou a mãe de Eliza a fazer um desabafo público contundente.
Tudo isso apesar de Eliza Samudio ter sido assassinada em 2010, em um crime que chocou o país que condenou o ex goleiro Bruno Fernandes por assassinato.
Até sua relação com o jogador Cristiano Ronaldo veio à tona e, com isso, ressurgiu um material precioso e muitas vezes ignorado: a entrevista concedida por Samudio ao Jornal Extra. Sentada, tranquila, observando fotos suas ao lado de jogadores de futebol, ela falou com naturalidade sobre sua trajetória, seus relacionamentos e, principalmente, sobre a forma como era vista e julgada pela sociedade.
Logo no início da conversa, Eliza Samudio quebra expectativas ao falar de si mesma antes da fama involuntária. “Joguei salão [futebol]. Joguei dez anos. Fui goleiro de salão. Aí parei porque não dá futuro. E eu era muito preguiçosa. Não gostava de me exercitar ou de fazer nada”, contou, em tom leve, ao Extra.
Questionada sobre a proximidade com jogadores, ela respondeu de forma direta quando perguntada sobre o que achava interessante neles. “Ah, o porte físico, né? Que é atraente”, disse, sem rodeios.
Ao comentar suas experiências fora do Brasil, Samudio explicou. “Ah, já fui pra Portugal passear, na Alemanha, ver Champions League. Só isso.” Foi nesse contexto que surgiu o assunto Cristiano Ronaldo.
Sobre o craque português, ela foi categórica. “Ele é bacana, gente boa, humilde pra caramba, simpático, educado, é diferente do que as pessoas acham que ele é mala, que ele é metido. Muito diferente”, afirmou.
Quando questionada se o encontro havia passado de um beijo, Eliza Samudio respondeu sem hesitar. “Foi só.” E completou dizendo que o contato continuou apenas virtual. “Hoje em dia eu converso com ele, mas é mais pela internet, MSN, essas coisas.”
Um dos momentos mais fortes da entrevista acontece quando Eliza Samudio é confrontada com o termo “Maria Chuteira”. A pergunta direta do entrevistador, ao questionar o que ela achava da expressão usada para rotular mulheres que se relacionam com jogadores de futebol. A partir daí, a resposta de Eliza revela lucidez, firmeza e indignação diante do rótulo que lhe foi imposto.
“Depende. Se a mulher que vai atrás eu até concordo, mas e se o cara que vem atrás? E ficar ligando. Tem jogador que pega e te liga dos Estados Unidos com o seu telefone”, relatou.
Ela ainda completou. “Dos Estados Unidos, com a seleção em pré temporada, ficar ligando. É complicado, né?”, questionou, expondo a hipocrisia de um julgamento que sempre recaiu sobre as mulheres.
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