Todos conhecem Rihanna pela carreira musical repleta de sucessos e pelo império bilionário construído com marcas como a Fenty Beauty e Savage X Fenty, mas um dos projetos mais orgulhosos da cantora acontece justamente longe dos palcos e tem a filantropia como o principal combustível.
Em 2012, quando estava no auge do sucesso, Rihanna fundou a Clara Lionel Foundation (Fundação Clara Lionel), uma organização beneficente que recebeu o nome de seus avós, Clara e Lionel Braithwaite. A decisão veio após a morte da avó da cantora em decorrência de complicações de um câncer.
Segundo a Associated Press, Rihanna iniciou a fundação com uma contribuição de US$ 516 mil. No mesmo ano, ela ajudou a estabelecer um centro de oncologia no principal hospital de Barbados, país onde nasceu, com o objetivo de ampliar o acesso a exames e tratamento contra o câncer.
Muito além do combate contra o câncer e iniciativas pela saúde, a Fundação Clara Lionel também passou a apoiar, nos anos seguintes, iniciativas relacionadas à educação, preparação para desastres, justiça climática e desenvolvimento comunitário, além do empreendedorismo feminino.
Ao longo de mais de uma década, a fundação ampliou o alcance de suas iniciativas. Segundo os dados mais recentes divulgados pela própria CLF, mais de US$ 100 milhões já foram distribuídos em doações desde a criação, o equivalente a mais de R$ 514 milhões na conversão atual.
O trabalho começou em Barbados, mas ganhou novas frentes ao longo dos anos. Em 2022, no relatório de dez anos da instituição, a fundação informou que já havia financiado projetos em mais de 35 países e em praticamente todos os estados americanos. Entre as regiões beneficiadas estão o Caribe, a África Oriental, o sul dos EUA e até o Brasil.
Uma das iniciativas que chegou ao público brasileiro foi o programa global de bolsas de estudo criado pela fundação em 2016. Na época, estudantes do Brasil, Barbados, Cuba, Haiti, Guiana, Jamaica e Estados Unidos poderiam concorrer a bolsas para cursar universidades americanas, cujos valores variavam entre US$ 5 mil (aproximadamente R$ 25 mil) e US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil).
O programa exigia que os candidatos já tivessem sido aceitos em uma instituição americana de ensino superior, enquanto a seleção considerava fatores como desempenho acadêmico, liderança, participação em atividades escolares e comunitárias e experiência profissional.
Na ocasião, Rihanna explicou por que considerava a educação uma das formas importantes de atuação da fundação: "Poder oferecer o presente de uma educação é, na verdade, uma honra", disse a artista, reconhecida anos depois com uma honraria da Harvard por sua atuação nessa frente.
Nos últimos anos, a atuação da Fundação Clara Lionel se voltou cada vez mais para os efeitos das mudanças climáticas e para a preparação de comunidades diante de eventos extremos, apoiando projetos de preparação para furacões, recuperação após desastres e fortalecimento de estruturas essenciais, como escolas e unidades de saúde.
Em seu site oficial, a fundação afirma que, entre 2021 e 2025, destinou mais de US$ 27 milhões (R$ 140 milhões) a 39 parceiros que atuam frente à resiliência climática, alcançando mais de 2,8 milhões de pessoas por meio de iniciativas envolvendo energia limpa, sistemas de saúde, justiça ambiental e organização comunitária.
O empreendedorismo também é uma preocupação da CLF: na África Oriental e no sul dos Estados Unidos, a organização começou a apoiar instituições que oferecem capacitação, mentoria, redes de contato e acesso a capital para mulheres empreendedoras.
A fundação mantém programas relacionados às artes e à preservação cultural, especialmente no Caribe. Na área da saúde, a fundação fundou, nos EUA, uma clínica móvel movida a energia solar criada para levar atendimento a regiões rurais e com menor acesso aos serviços de saúde.
Apesar de ter ampliado sua atuação para diferentes países e áreas, a fundação continua ligada à origem de Rihanna em Barbados, onde ela nasceu, cresceu e viveu até a adolescência, quando foi para os EUA em busca de uma carreira na música.
"Hoje temos alcance global, mas essa noção de amor pela comunidade e pelas nossas raízes está profundamente enraizada no DNA da fundação."