Grazi Massafera foi o grande destaque da coletiva de 'Dona Beja', da HBO Max, realizada na manhã desta terça-feira, 27. Escalada para viver a personagem-título, eternizada por Maitê Proença na versão de 1986, da extinta Manchete, a atriz deixou claro que a releitura deve provocar muita gente, principalmente quando se trata de diversidade.
“Tem muitas questões pra gente refletir. Os mais conservadores vão falar que é lacração, dane-se. A gente quer isso, a gente enfia o dedo na ferida da sociedade. Hoje, em homenagem a ela, vesti calça”, disparou Grazi, arrancando gargalhadas e aplausos da plateia.
A fala resume o espírito da novela, inspirada na trajetória real de Ana Jacinta de São José, mulher que escandalizou Minas Gerais no século XIX. Na trama, Beja é violentada, humilhada e expulsa de sua cidade.
Anos depois, retorna poderosa, dona de um bordel em Araxá, decidida a enfrentar a hipocrisia local, inclusive se envolvendo com homens casados da elite.
A novela mergulha em temas como liberdade feminina, machismo, poder, homofobia e transfobia, trazendo uma leitura contemporânea para uma história marcada por dor e resistência.
“Beja tem tudo em uma mulher que abraça minorias: afeto e justiça. Ela rompe barreira. A beleza não é o diferencial de Beja”, afirmou a atriz. Em seguida, fez uma ligação direta com a própria vida: “É o tipo de mulher que educo minha filha para ser”, disse ela, referindo-se à Sofia, de 13 anos, fruto de seu relacionamento com Cauã Reymond.
Aos 43 anos, Grazi vive um dos momentos mais intensos de sua carreira. Além de protagonizar 'Dona Beja' que estreia na próxima segunda, 12, na HBO, ela também está no ar como a vilã Arminda em 'Três Graças', na Globo.
"Mulheres como Beja abrem portas. Estou me desconstruindo. Sou mulher solteira, subjugada pelos namorados, pela beleza, pelo processo de envelhecer, da maneira como crio minha filha”, refletiu.
Ela também está no ar como a vilã Arminda em 'Três Graças', na Globo, e faz comparação com a heroína que interpreta no folhetim do streaming. “Dona Cobra (Arminda) é o oposto de Beja. Talvez ela quisesse ser a Beja, mas são personagens distintas. Isso me traz uma versatilidade como atriz”, concluiu.