[ALERTA: o texto a seguir pode conter gatilhos para vítimas ou pessoas sensíveis a assuntos relacionados a abuso sexual e pedofilia]
Abriu-se a caixa de Pandora do mundo obscuro dos “conteúdos infantis” na internet desde que um vídeo do youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, sobre “adultização” viralizou. Na gravação, ele citou o influenciador paraibano de 28 anos, Hytalo Santos, acusando-o de exploração de menores e alertando para os riscos do ambiente digital para crianças e adolescentes.
Desde então, o nome de Hytalo, que é investigado desde 2024 pelo Ministério Público da Paraíba, voltou ao centro das atenções, e novas informações têm surgido sobre o que acontecia com a chamada “Turma do Hytalo”, grupo formado pelos menores que frequentavam a casa do influenciador.
Hytalo Santos é apontado como suspeito de integrar e fomentar uma rede de pedofilia na internet. A imagem pública de um “pai adotivo” cercado de crianças e adolescentes, que aparece em vídeos de humor, danças e pequenas “novelinhas”, contrasta fortemente com relatos de ex-funcionários e pessoas próximas.
Segundo informações publicadas pelo jornal Extra, diversas fontes que conviveram com o influenciador afirmam que, longe das câmeras, a realidade é marcada por medo, controle e até episódios que beiram o constrangimento. Todas as pessoas ouvidas exigiram anonimato, justificando que já foram ameaçadas ou que ainda dependem do dinheiro movimentado pelo paraibano.
De acordo com relatos, o carinho exibido nas redes sociais só acontece diante das câmeras. Fora das gravações, Hytalo passaria grande parte do tempo trancado no quarto, enfrentando problemas para dormir e mantendo um hábito noturno extremo. Uma das fontes contou que ele já afirmou “que dormir é perda de tempo” — uma regra que atinge não apenas os funcionários, mas também os menores que vivem em sua mansão.
As crianças teriam pouca autonomia. Até as refeições dependeriam do humor do influenciador. “Se alguém pedir um sanduíche e ele não quiser comer, ninguém come. As crianças só podem se alimentar na presença dele. Se ele acordar às 15h, elas vão ficar sem almoço”, disse um entrevistado ao Extra.
Embora todos estejam matriculados na escola, a frequência escolar dependeria do calendário de gravações da “Turma”. Já houve casos de ficarem dias sem frequentar as aulas ou permanecerem apenas por poucas horas. O “pai” também costumaria punir retirando o acesso ao celular.
Outro ponto delicado é a questão financeira. Mesmo produzindo vídeos que geram receita, os menores não teriam acesso direto ao dinheiro. Um taxista relatou ao Extra que, ao levar três adolescentes para Cajazeiras, precisou pagar o lanche deles porque “não tinham R$ 1 no bolso e estavam com fome”.
O cenário mais grave, porém, seriam as festas privadas, onde o uso de celular era proibido. Segundo um ex-funcionário, o ambiente não era apropriado para adolescentes. Ele descreveu: “É muito álcool, algumas drogas ilícitas e as meninas vestidas com aqueles shortinhos minúsculos, rebolando ao som de músicas podres, se beijando na frente de todos e sendo incentivadas a namorar”.
O caso segue em investigação pelo Ministério Público da Paraíba, e tanto Hytalo Santos quanto seu marido, Euro, são alvos de processos. Enquanto isso, cresce a pressão para que as denúncias sejam apuradas e as possíveis vítimas protegidas.