A atriz Laura Cardoso, que morreu aos 98 anos no fim da noite desta segunda-feira (17), precisou fugir de casa para fazer seu primeiro teste, além de ter enfrentado o "olhar torto" da mãe. Ao todo, a veterana somou oito décadas de carreira, com 150 personagens aproximadamente, sendo 60 em novelas.
Aliás, em uma delas, esteve em triângulo amoroso aos 73 anos, época na qual ensinou valiosa lição a respeito do amor. Em diversas entrevistas exibidas no "Tributo", programa da Globo de 2024, Laura, cujo corpo é velado pela família, recordou o começo da trajetória profissional.
"Eu ouvia radionovela e aquilo me atraia, eu gostava e falava: 'acho que sei fazer isso'. Um dia falei 'vou me vestir, me pintar. Pintei a cara, (passei o) batom, me vesti e fugi de casa para fazer um teste na rádio Cosmos. E fui aprovada. Quase morri de alegria", recordou a atriz, que entregou o segredo sobre sua atuação brilhante.
A artista de novelas como "A Viagem" e "O Outro Lado do Paraíso" recordou que artistas eram má vistos. "Em casa, o (meu) pai era mais aberto. Ele não travou, mas a minha mãe não gostava. Era um tempo machista. A família se ressentia, tinha vergonha", admitiu Laura, que deixa duas filhas, frutos de um casamento que durou 30 anos e marcado pela morte de filho bebê, duas netas e um bisneto, de acordo com comunicado divulgado pela Globo.
"Os artistas na minha época eram colocados à parte", acrescentou a ex-atriz de circos. Com passagens pela Tupi, Cultura, Band, Record e Globo, além de programas de auditório, Laura também lembrou que décadas atrás as artistas eram comparadas a prostitutas.