Há histórias que o tempo não apaga, mesmo após tantos anos! No verão de 2000, uma sequência de fotos feitas no Carnaval de Salvador atravessou bancas, programas de TV e rodas de conversa pelo país. Luana Piovani, então uma das atrizes mais populares da sua geração, aparecia aos beijos com o empresário Christiano Rangel. Do outro lado da história estava Rodrigo Santoro, o galã em ascensão com quem ela mantinha um namoro iniciado em 1997. Eita!
O “chifre histórico” marcou uma virada pública e íntima na vida da atriz. Mas, anos depois, em 2024, a loira retomou o assunto e ressignificou a polêmica, colocando nos seus próprios termos! Em uma série de stories publicados em seu perfil no Instagram, a atriz revisitou a traição, contestou a narrativa cristalizada ao longo das décadas e descreveu aquele fim de relacionamento como um gesto de sobrevivência emocional.
O estopim para a lembrança veio em janeiro daquele ano, quando Luana comentou assuntos do "BBB 24" e acabou antecipando críticas que sabia que viriam. “Quero lembrar algumas coisas, porque ninguém tem memória nesse país, não é mesmo?”, disse ela logo no início do desabafo. Em seguida, fez questão de detalhar o que, para ela, sempre foi contado de forma incompleta.
“Primeiro que eu não traí, voltei, disse que amo e deitei na mesma cama. Eu traí, sim... o que foi pra mim maravilhoso, me libertei de uma prisão”, disparou a polêmica.
Segundo a atriz, o último ano e meio do namoro com Santoro foi marcado por um ambiente que ela define sem eufemismos. “No último ano e meio o relacionamento era supertóxico. Não vou aqui dar detalhes, mas quem sabe, sabe”, garantiu.
Ainda assim, Luana fez questão de diferenciar o passado do presente e reconheceu mudanças no ex-companheiro. “Pelo menos, aparentemente, eu acho que essa pessoa evoluiu. O que a maioria dos que eu conheci e sugeri que fossem pra terapia pra evoluir nunca fizeram. Então eu acho que esse, realmente, evoluiu”, acrescentou.
No relato, a traição aparece menos como ruptura moral e mais como ponto final consciente. “Enfim, voltando à traição, eu traí, voltei e falei: ‘Cara, eu não te quero mais’”, contou. E justificou: “Sabe por quê? Porque eu sou fiel aos meus princípios”.
Luana foi direta ao explicar o contexto emocional daquele momento. “Eu traí porque meu relacionamento estava uma merda, eu estava vivendo dentro de uma prisão, completamente sufocada. Quando eu vi a possibilidade de liberdade, eu fui e voltei para dizer ‘tchau’”, afirmou.
Um dos pontos que mais incomodam a atriz até hoje é a assimetria das versões. “Eu não fiz essa p*taria de voltar a fingir que amava”, disparou. Segundo ela, isso teria acontecido com ela no mesmo relacionamento, mas só depois do fim. “Apesar de ter colocado o parzinho de chifres na minha cabeça”, disse, sem citar nomes.
“Claro, né, porque o pessoal faz isso”, ironizou, antes de fazer um paralelo com outras experiências pessoais: “Do mesmo jeito que [depois que] eu fui agredida pelo criminoso [Dado Dolabella], as moças vieram me contar que já tinham sido agredidas”.
Ao relembrar a idade que tinha à época, Luana reforçou que falava de um namoro, não de um casamento. “A traição foi essa, e foi aos 21 anos de idade, né, pessoal? Eu só namorava, eu não tinha casado, eu não estava na capa da [revista] Caras vestida de véu e grinalda, prometendo mundos e fundos, não é mesmo?”.
“Eu tava na época de fazer as coisinhas erradas para aprender. Aquele pesadelo que eu vinha vivendo fez com que eu tivesse que dar esse grito de ‘Independência ou morte’", justificou.
O término, à época, foi tratado como um escândalo nacional. Santoro se recolheu, evitou entrevistas e seguiu a carreira até se tornar um dos poucos atores brasileiros a conquistar espaço consistente em Hollywood. Luana, por sua vez, continuou sob os holofotes, atravessou outros relacionamentos públicos e nunca deixou de falar (às vezes com ironia, às vezes com dor) sobre as próprias escolhas.
Anos mais tarde, em entrevista à revista Playboy, em 2015, a atriz contou que os dois chegaram a se reconciliar emocionalmente, conversaram, “lavaram roupa suja” e se perdoaram. Um gesto que ajuda a entender o tom menos acusatório e mais reflexivo de hoje.
player2