Conhecida por sua passagem na música e na apresentação de programas, Preta Gil, que faleceu aos 50 anos neste domingo, 20 de julho, também teve uma passagem marcante na teledramaturgia brasileira. Em 2003, ela estreou na novela 'Agora é Que São Elas', na Globo, como filha de Joana Fomm.
Mas a atriz ganhou destaque em 'Mutantes: Caminhos do Coração', na Record, entre 2007 e 2009, quando interpretou a vilã Helga na fase inicial. Em sua biografia lançada em 2024, Preta confessou que aceitou o papel na trama escrita por Tiago Santiago devido a problemas financeiros.
“Lia o roteiro, olhava meu extrato do banco e chorava. Os dois eram péssimos. Eu não preciso de muito para viver, mas é angustiante não ter dinheiro nem para começar um projeto, nem para comer uma pizza na esquina. Não tem muito o que fazer, vou fazer o quê? Uma novela na Record chamada Os Mutantes“, contou ela.
No livro, Preta ainda ressaltou que o roteiro da novela não a agradava. “Tive uma síncope. Era uma imitação de uma ideia que estava rolando nos Estados Unidos, uma coisa de super-heróis. Fui para a reunião com o Alexandre Avancini, que era o diretor, muito disposta a dizer não, pois eu estava constrangida com o roteiro. Ele foi tão persuasivo e tão entusiasta, dizendo que estavam trazendo uma equipe de Los Angeles para efeitos especiais maravilhosos", acrescentou.
No entanto, Preta se surpreendeu com o sucesso do folhetim da Record, que conquistou boa audiência naquele momento. "A novela marcou época e acabou sendo um divisor de águas na emissora, mas eu não estava feliz”, completou.
A cantora, que já teve incursão em novelas da Globo, Record e filmes, disse ao Roda Viva, em 2024, que não se considerava uma boa atriz.
"Eu sou uma atriz bem medíocre, bem canastrona, foi algo que menos estudei, mas considero alguns trabalhos, como 'Um Homem Chamado Lee' (no teatro, em 2006), um espetáculo bem-humorado. Ali cheguei numa entrega que me agradava, via Rita Lee ver a peça umas três vezes.", contou ela.