Mais de uma década após sua exibição original, 'Além do Tempo' segue viva na memória afetiva do público como uma das novelas das seis mais ousadas e queridas dos últimos tempos.
A obra de Elizabeth Jhin , autora que deixa saudades na TV após sua aposentadoria, dividiu sua narrativa em duas encarnações distintas.
Curiosamente há exatamente 11 anos, mais precisamente em 13 de julho de 2015, a novela estreou na faixa das seis da Globo, tornando-se um marco na teledramaturgia. Agora, com a reprise no ar, o Purepeople lembra os seus maiores acertos e erros ao longo de sua trajetória.
Nao tem pra ninguém! Se há um ponto indiscutível em Além do Tempo, é a escalação cirúrgica de seu elenco. Alinne Moraes (Lívia) e Rafael Cardoso (Felipe) entregaram uma química arrebatadora que atravessou séculos.
No entanto, o grande destaque dramático foi a rivalidade entre Irene Ravache (Condessa Vitória) e Ana Beatriz Nogueira (Emília).
Ao mesmo tempo, outros atores ganharam destaque com personagens secundários: Julia Lemmertz (Doroteia), Flora Diegues (Bianca), Luís Mello (Massimo), Inês Peixoto (Salomé), Felipe Camargo (Bernardo), Michel Melamed (Ariel) são alguns entre tanto talentos.
Atrizes como Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira conseguiram inverter seus papeis na segunda fase sem apelar para o caricaturismo. Se na primeira fase, a condessa era um terror e Emília, a coitadinha; na fase seguinte, Vitória penou para reconquistar a filha amargurada.
Paolla Oliveira entregou uma de suas melhores atuações na TV. Na primeira fase, a obsessão egoísta e mimada de Melissa pelo Conde Felipe contrastava perfeitamente com a doçura de Lívia.
Na transição para os dias atuais, a transformação da personagem em uma mulher frustrada, mas ainda perversa, manteve o público preso na expectativa de ver se ela conseguiria se redimir ou se repetiria os mesmos erros do passado.
O trabalho de reconstituição histórica do século XIX foi um show à parte. Os figurinos pesados, as cores sóbrias e a fotografia poética transportaram o público diretamente para o sul do país daquela época.
Para coroar, a trilha sonora foi cirúrgica: 'Palavras ao Vento', na voz de Cássia Eller, na abertura, e as belas faixas instrumentais no miolo da trama ajudaram a ditar o tom nostálgico e melancólico da produção.
Se a primeira fase foi um primor de agilidade e mistério, a transição para a era contemporânea cobrou um preço alto. Ao colocar os personagens nos dias atuais para resolverem suas pendências do passado, a história perdeu grande parte de sua urgência.
O ritmo arrastado deixou a novela muito pacata, dando voltas em torno de si mesma.
O grande charme do início da novela era o mistério e o misticismo que cercavam os encontros dos personagens.
Ao trazer a história para a rotina prática de uma vinícola moderna em 2015, com celulares, carros e escritórios, parte daquela magia lúdica se perdeu, tornando-se uma novela situada uma pacata cidade pequena.
Enquanto a dinâmica de Vitória e Emília cresceu na fase contemporânea, o mesmo não pode ser dito de outros personagens.
Diversos nomes que tinham tramas fortes e funções cruciais no século XIX foram rebaixados a papéis secundários, apagados e sem grandes conflitos no presente., assim como Alompe, que se tornou empregada de Massimo, por exemplo.
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