No dia 20 de dezembro, completam-se cinco anos da morte de Nicette Bruno, uma das atrizes mais queridas, respeitadas e coerentes da televisão brasileira.
Aos 87 anos, ela nos deixou vítima da covid-19, mas permanece viva na memória afetiva do público, e também na tela. Atualmente, é possível revê-la na reprise de 'Rainha da Sucata', no Vale a Pena Ver de Novo, como a inesquecível Dona Neiva, mãe de Maria do Carmo, personagem de Regina Duarte.
Mais do que uma grande atriz, Nicette Bruno foi uma mulher à frente de seu tempo. Um exemplo disso ficou evidente em 2017, quando participou do programa 'Encontro com Fátima Bernardes'.
Na ocasião, foi exibida uma reportagem sobre a mãe de um jovem LGBT que só aceitaria o filho de volta em casa caso ele “virasse hétero”. Nicette não se conformou com o ponto de partida da história, fez cara feia com a atitude da mãe do rapaz e se pronunciou com um comentário que ecoa até hoje.
“É curioso que se fique pensando nesse caso da homossexualidade como se fosse uma coisa estranha, como se fosse um defeito, não é!”, disse a atriz, ao vivo, demonstrando indignação genuína.
Em poucas palavras, Nicette mostrou um pensamento progressista profundamente humano, algo que nem sempre se via com tanta clareza na televisão aberta, ainda mais vindo de uma atriz de outra geração.
Essa postura ajuda a explicar por que Nicette Bruno atravessou décadas sendo admirada não apenas pelo talento, mas também pela postura ética.
Sua trajetória artística começou cedo: em 1945, ela estreou profissionalmente no teatro em uma montagem de 'Romeu e Julieta', de Shakespeare.
Foi nos palcos, inclusive, que conheceu Paulo Goulart, seu grande amor e companheiro de vida, com quem construiu uma das histórias mais sólidas do meio artístico até a morte do ator, em 2004, vítima de câncer.
Na televisão, Nicette construiu uma galeria de personagens memoráveis em novelas que se tornaram referência, como 'Sétimo Sentido' (1982), 'Selva de Pedra' (1986), 'Bebê a Bordo' (1988), 'Rainha da Sucata' (1990) e 'Mulheres de Areia' (1993). Em todas elas, deixou marcas de sensibilidade, força e verdade.
Cinco anos após sua partida, Nicette Bruno segue atual. Seja pela atuação impecável que ainda emociona, seja pela coragem de dizer, em voz alta, que amar e existir não é defeito.