O sucesso da novela 'Terra Nostra' fez com que a Globo aproveitasse a onda de felicidade e mantivesse parte do elenco em uma produção no mesmo ano de exibição, em 2000.
O folhetim de Benedito Ruy Barbosa terminou em junho daquele ano, com 221 capítulos; dois meses depois estreou a minissérie 'Aquarela do Brasil'. No ar entre agosto e dezembro, a produção ambientada nos anos 1940 focava na Era de Ouro e na Segunda Guerra Mundial.
O autor Lauro César Muniz e o diretor Jayme Monjardim escalaram 10 atores de 'Terra Nostra'. Maria Fernanda Cândido, a eterna Paola, alçava o posto de protagonista, a cantora Isa Galvão; Thiago Lacerda, o imigrante Matteo, tornou-se o músico boêmio, Mário Lopes. Para completar o triângulo amoroso da história, Edson Celulari foi convocado como o militar Hélio Aguiar.
Ainda da novela exibida atualmente na Faixa Especial da Globo, Ângela Vieira, a vilã Janete, virou a ex-vedete Velma; Jackson Antunes, o ex-capitão Antenor, voltou à cena como o major Walter. Adriana Lessa e André Luiz Miranda, Naná e Tiziu, tornaram-se Neide e Pitu, mãe e filho na minissérie.
Além disso, Odilon Wagner, Débora Olivieri, Fernanda Muniz e Taciana Saad completaram o elenco.
'Aquarela do Brasil' ficou marcada por uma série de polêmicas. A minissérie registrou 21 pontos, quando a média era de 30. O autor Lauro César Muniz disse que foi censurado pela Globo, e precisou minimizar a imagem do exército na Segunda Guerra para destacar o romance.
"Os atores desabafavam comigo porque gravavam cenas que sabiam que não iriam ao ar. Nossos soldados chegaram à Itália em estado de indigência, doentes, desdentados, descalços. Mas era preciso mostrá-los de maneira positiva para ter apoio do Exército e o resultado foi patriótico demais".
No livro 'A Seguir, cenas do próximo capítulo', de André Bernardo e Cíntia Lopes, o novelista comentou sobre a briga com o diretor.
“O problema é que ele não entendia o que eu estava querendo fazer. Ou, então, não gostava do que eu estava fazendo. Então o diálogo entre nós também começou a ficar difícil.”, disse ele sobre Jayme Monjardim.
E completou: “Ele alterava o texto, mudava ordens de cenas, editava para buscar mais ritmo, cortava as introspecções dos personagens, o que esvaziava a interpretação dos atores. E, muitas vezes, se dava ao direito de cortar cenas inteiras”.