O que significa colecionar cartinhas de Pokémon para a Psicologia? Especialista explica fascínio de Neymar e Memphis Depay: 'Para muitos adultos, existe uma conexão muito forte com a memória afetiva da infância'
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 09:02
Siga o Purepeople no Google Adicione-nos às suas fontes preferidas
Cartinhas de Pokémon voltam com força e conquistam adultos: psicóloga explica fascínio de Neymar e Memphis Depay por coleções que podem valer até R$ 200 mil
O que significa colecionar cartinhas de Pokémon para a Psicologia? Especialista explica fascínio de Neymar e Memphis Depay: 'Para muitos adultos, existe uma conexão muito forte com a memória afetiva da infância' A febre das cartinhas de Pokémon voltou a chamar atenção entre adultos: Neymar e Memphis Depay, do Corinthians, apareceram envolvidos com colecionáveis que vão de pacotinhos vendidos por cerca de R$ 15 a caixas antigas avaliadas em valores próximos de R$ 200 mil. Segundo informações da coluna Veja Negócios, em agosto de 2026, os jogadores combinaram uma brincadeira envolvendo uma antiga caixa da coleção Fossil Neymar encontrou cartas estimadas em R$ 15 mil durante uma transmissão, enquanto Memphis Depay prometeu levar ao jogador uma antiga caixa de Pokémon avaliada em cerca de R$ 200 mil. Segundo a coluna Veja Negócios, a brincadeira entre os dois mistura coleção, raridade, especulação e audiência Gastar muito dinheiro com uma coleção de Pokémon não significa automaticamente ter um comportamento compulsivo, segundo a psicóloga Daniela Pereira. O alerta ganha destaque no caso de Neymar e Memphis Depay, que apareceram envolvidos com cartinhas e caixas de alto valor. Em entrevista ao Purepeople, a especialista aponta que merecem atenção sinais como perda de controle, gastos incompatíveis com a realidade financeira, endividamento, ocultação das compras, conflitos familiares e prejuízos profissionais Uma antiga caixa da coleção Fossil pode chegar perto dos R$ 200 mil e foi prometida por Memphis Depay a Neymar. O produto reúne 36 envelopes e, segundo informações da coluna Veja Negócios, duas caixas da mesma coleção foram arrematadas em abril por valores equivalentes a aproximadamente R$ 159 mil e R$ 165 mil

A febre das cartinhas de Pokémon parece estar novamente em alta e deixou de ser um assunto exclusivamente infantil. Nos últimos tempos, até estrelas do futebol como Neymar e Memphis Depay, do Corinthians, passaram a chamar atenção pelo interesse no universo dos colecionáveis. O que começa com um pequeno pacote pode terminar envolvendo peças avaliadas em milhares de reais e até caixas antigas com valores próximos dos R$ 200 mil. Mas afinal, por que tantos adultos continuam fascinados por personagens que fizeram parte da infância?

Para entender melhor esse fenômeno, o Purepeople conversou com a psicóloga clínica Daniela Pereira (CRP: 09/014487), que explica como nostalgia, expectativa, prazer da descoberta, pertencimento e reconhecimento podem estar envolvidos nesse tipo de hobby.

Veja também
'McLanche Infeliz'? McDonald's causa o CAOS no Japão com Pokémon e rede de fast-food precisa até pedir desculpas formais: 'Viola nossa filosofia'
De pacotinhos de R$ 15 a caixas avaliadas em R$ 200 mil

Segundo informações da coluna Veja Negócios, em agosto de 2026, Neymar e Memphis Depay entraram em uma brincadeira que mistura coleção, raridade, especulação e audiência. Neymar chegou a encontrar cartas estimadas em R$ 15 mil durante uma transmissão, enquanto Memphis prometeu levar ao amigo uma antiga caixa de Pokémon que pode chegar perto de R$ 200 mil.

Os produtos, porém, pertencem a categorias diferentes. Neymar abriu envelopes modernos vendidos no Brasil por cerca de R$ 15, com cartas aleatórias. Entre as possibilidades está o chamado "god pack", no qual praticamente todas as cartas são versões especiais.

A febre das cartinhas de Pokémon voltou a chamar atenção entre adultos: Neymar e Memphis Depay, do Corinthians, apareceram envolvidos com colecionáveis que vão de pacotinhos vendidos por cerca de R$ 15 a caixas antigas avaliadas em valores próximos de R$ 200 mil. Segundo informações da coluna Veja Negócios, em agosto de 2026, os jogadores combinaram uma brincadeira envolvendo uma antiga caixa da coleção Fossil © Reprodução/Instagram, @neymarjr / @memphisdepay

Memphis, por outro lado, mostrou envelopes antigos ainda lacrados e protegidos em caixas de acrílico. Entre eles estavam exemplares da coleção Fossil de primeira edição, lançada em 1999, e EX Dragon, de 2003. Alguns desses pacotes podem valer milhares de reais.

A caixa prometida a Neymar é da coleção Fossil e reúne 36 envelopes. O valor de aproximadamente R$ 200 mil divulgado nas redes está próximo das cotações mais altas do mercado. Em abril, duas caixas da mesma coleção foram arrematadas por valores equivalentes a aproximadamente R$ 159 mil e R$ 165 mil, segundo a publicação.

Por que abrir uma cartinha de Pokémon pode ser tão emocionante? Para a psicóloga clínica Daniela Pereira (CRP: 09/014487), a expectativa tem papel importante na experiência: "A expectativa é uma parte muito importante desse comportamento, porque muitas vezes o prazer não está apenas no objeto que a pessoa vai encontrar, mas na possibilidade de encontrar". A especialista foi entrevistada pelo Purepeople © Reprodução/Instagram, @neymarjr
Por que abrir um pacote pode ser tão emocionante?

Para Daniela Pereira, um dos pontos centrais está justamente na expectativa. "A expectativa é uma parte muito importante desse comportamento, porque muitas vezes o prazer não está apenas no objeto que a pessoa vai encontrar, mas na possibilidade de encontrar", explica a psicóloga.

A especialista destaca que existe uma recompensa associada à imprevisibilidade. Ao abrir um pacote, o colecionador pode encontrar uma carta comum ou, em uma situação muito mais rara, uma peça valiosa. Essa possibilidade torna a experiência estimulante, mas não significa automaticamente que exista um comportamento compulsivo ou um problema psicológico.

Com as redes sociais, entretanto, surge uma segunda recompensa. A pessoa deixa de vivenciar a experiência apenas para si e também pode pensar em como o público reagirá à descoberta. "Então entram a audiência, as curtidas, os comentários, os compartilhamentos, o reconhecimento e até as oportunidades comerciais", afirma Daniela.

Assim, uma simples abertura pode reunir dimensões pessoal, financeira e social ao mesmo tempo.

Neymar encontrou cartas estimadas em R$ 15 mil durante uma transmissão, enquanto Memphis Depay prometeu levar ao jogador uma antiga caixa de Pokémon avaliada em cerca de R$ 200 mil. Segundo a coluna Veja Negócios, a brincadeira entre os dois mistura coleção, raridade, especulação e audiência © Reprodução/Instagram, @neymarjr
Adulto que gosta de Pokémon está preso à infância?

A psicóloga Daniela Pereira também questiona a ideia de que um adulto interessado em brinquedos, personagens ou jogos da infância necessariamente esteja vivendo uma espécie de "infância tardia". Para ela, existe uma relação importante entre esses interesses e as lembranças construídas ao longo da vida. "Para muitos adultos, existe uma conexão muito forte com a memória afetiva da infância", explica a especialista.

"Gostar de alguma coisa que fez parte da infância não significa, necessariamente, que a pessoa esteja "presa" à infância ou que seja imatura", afirma Daniela. Segundo a psicóloga, objetos e personagens podem carregar significados afetivos importantes e continuar relacionados às memórias de uma pessoa mesmo depois da infância.

Por isso, a especialista propõe mudar a pergunta. Em vez de questionar por que um adulto ainda gosta de algo associado à infância, o mais importante seria entender que lugar esse hobby ocupa na vida daquela pessoa.

Se a atividade proporciona prazer, relaxamento, socialização e permanece dentro da rotina e do orçamento, pode ser simplesmente um hobby. A situação muda quando o interesse começa a substituir outras áreas importantes da vida, provoca prejuízos financeiros, conflitos familiares, perda de controle ou passa a ser utilizado como única maneira de lidar com problemas e emoções difíceis.

Uma caixa de Pokémon avaliada em R$ 200 mil pode representar mais do que um objeto de coleção quando aberta diante de milhares ou milhões de pessoas. Segundo Daniela Pereira, a experiência passa a envolver também uma dimensão emocional e social, já que audiência, comentários, compartilhamentos e reconhecimento podem influenciar a relação do colecionador com o objeto © Reprodução, TikTok @collectorscache
Homens colecionam mais que mulheres? Psicóloga faz alerta

A relação entre gênero e colecionismo também é mais complexa do que pode parecer. Daniela explica que existem pesquisas sobre diferenças relacionadas aos objetos escolhidos, às motivações e à maneira como as coleções são apresentadas socialmente, mas ressalta que não é possível transformar essas diferenças em regras.

Durante muito tempo, interesses relacionados a competição, tecnologia, esportes, jogos, raridade e investimento foram mais associados aos homens. Isso também pode criar uma espécie de "autorização social" diferente para homens e mulheres demonstrarem determinados hobbies.

As redes sociais, porém, ampliaram as comunidades formadas em torno de interesses específicos. Para Daniela, muitas das motivações podem ser semelhantes entre homens e mulheres, incluindo prazer, pertencimento, memória afetiva, identidade, socialização e satisfação em encontrar algo raro ou significativo.

@collectorscache Wait until the end… @FIFA World Cup @Memphis Depay stopped by Collector’s Cache to open some @Pokémon Company Int’l packs 🔥 With Cosmic Eclipse, Evolving Skies, and Prismatic Evolutions Super Premium Collection on the table, there was no shortage of fun. And if you make it to the end of the video, you’ll get a sneak peek of a reaction from his next opening that you won’t want to miss 👀 All your favorites. One place. Pokémon, One Piece, Sports, Yu-Gi-Oh!, MTG & MORE 👇🏻 📍 13354 College Blvd, Lenexa, KS 🌐 www.collectorscache.com 📬 teamcache@collectorscache.com #Pokemon #Packopening #Memphisdepay #Fifa #Fifaworldcup2026 ♬ original sound - teamcache
Quando a coleção vira espetáculo nas redes sociais?

No caso de uma caixa antiga avaliada em R$ 200 mil, existe ainda um dilema: manter o produto lacrado pode preservar seu valor, enquanto abrir os pacotes pode proporcionar uma experiência capaz de gerar audiência, publicidade e repercussão.

"Quando uma pessoa tem uma caixa extremamente valiosa e decide abri-la diante de milhares ou milhões de pessoas, ela não está tomando apenas uma decisão financeira, existe também uma dimensão emocional e social nessa escolha", explica a psicóloga.

A audiência pode se tornar parte da própria experiência. Uma abertura que gera milhões de visualizações, comentários e repercussão pode incentivar novas experiências semelhantes. Daniela chama atenção para a possibilidade de uma "escalada", em que uma abertura precisa ser mais surpreendente do que a anterior, uma compra precisa ser maior ou uma experiência precisa provocar mais impacto.

Isso, porém, não significa que gastar muito dinheiro com uma coleção seja automaticamente sinal de compulsão. Para a psicóloga, o que merece atenção são sinais como perda de controle, gastos incompatíveis com a realidade financeira, endividamento, ocultação das compras, conflitos familiares e prejuízos profissionais.

No fim, a questão não está simplesmente em quanto alguém gasta com Pokémon. Como resume Daniela, é preciso observar o significado da atividade, o nível de controle mantido pela pessoa e as consequências que o comportamento produz em sua vida.

Matérias relacionadas
Meu namorado nerd pediu e eu não pude negar: os novos tênis da Adidas de Pokémon na cor 'Pikachu' são superconfortáveis, vão deixar os looks do meu boy eletrizantes e ainda despertar sua nostalgia dos anos 90
Meu namorado nerd pediu e eu não pude negar: os novos tênis da Adidas de Pokémon na cor 'Pikachu' são superconfortáveis, vão deixar os looks do meu boy eletrizantes e ainda despertar sua nostalgia dos anos 90
Bruna Marquezine 'pira' com joia do Pokémon, avaliada em R$ 140 mil: 'Nada pode ser melhor que Pikachu com diamante'
Bruna Marquezine 'pira' com joia do Pokémon, avaliada em R$ 140 mil: 'Nada pode ser melhor que Pikachu com diamante'
Bruna Marquezine ensina a caçar Pokémon em jantar nos EUA: 'Expert no assunto'
Bruna Marquezine ensina a caçar Pokémon em jantar nos EUA: 'Expert no assunto'
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Sobre
Palavras-chave
Famosos brasileiros Famosos Internacionais Esporte Futebol Lifestyle Bem-estar Saúde Entrevista Curiosidades