O Papa Leão XIV, de 71 anos, teve o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar confirmado após passar por uma cirurgia de aproximadamente 90 minutos nesta terça-feira (13). O procedimento foi realizado no Hospital Gemelli, em Roma, na Itália, para a retirada do lobo inferior do pulmão direito.
Segundo o boletim médico divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a operação foi concluída com sucesso, sem complicações, e o pontífice acordou normalmente antes de retornar ao quarto. A confirmação do câncer ocorreu por meio de exame histológico durante a cirurgia. A suspeita já existia antes do procedimento, depois que exames identificaram uma alteração no pulmão.
Até o momento, o Vaticano não divulgou o estágio da doença nem informou se o Papa precisará de tratamentos complementares, como quimioterapia ou imunoterapia.
O diagnóstico chama a atenção para o adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer de pulmão. Para entender as características da doença, os riscos associados e os fatores que influenciam o tratamento, o Purepeople ouviu o oncologista Prof. Dr. Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e doutor em oncologia pela Universidade do Porto.
As explicações do especialista foram fornecidas em material de imprensa enviado à redação. Ele não integra a equipe médica do Papa nem acompanha o caso.
A cirurgia realizada no pontífice durou cerca de 90 minutos. De acordo com o boletim médico da Santa Sé, o procedimento foi feito com auxílio de técnica videotoracoscópica, que permite operar por pequenas incisões com o uso de uma câmera e instrumentos específicos. O lobo inferior do pulmão direito foi retirado para remover a região afetada.
Vale destacar que o pulmão direito possui três lobos - superior, médio e inferior. Portanto, a retirada de um deles não significa que metade do órgão tenha sido removida. O boletim médico foi assinado pelo médico Luigi Carbone e pelo professor Stefano Margaritora, que coordenou a equipe envolvida no procedimento, incluindo profissionais de cirurgia e anestesiologia.
A previsão inicial é que o pontífice permaneça internado por aproximadamente uma semana, enquanto se recupera. Seus compromissos públicos foram cancelados até 20 de outubro.
O adenocarcinoma pulmonar é um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células glandulares do pulmão. Ele faz parte do grupo dos cânceres de pulmão de não pequenas células e é considerado o subtipo mais frequente da doença.
Embora o tabagismo seja um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, o adenocarcinoma também pode atingir pessoas que nunca fumaram. A exposição à fumaça de outras pessoas, à poluição e a determinadas substâncias presentes em ambientes de trabalho também pode contribuir para o risco.
Outro desafio é que o câncer de pulmão pode não apresentar sintomas evidentes nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais podem incluir tosse persistente, falta de ar, sangue no escarro, rouquidão prolongada, infecções respiratórias recorrentes, cansaço e perda de peso sem explicação.
No domingo (11), Leão XIV já havia comentado que os médicos recomendaram a cirurgia após identificarem um nódulo pulmonar em exames. O pontífice afirmou que a alteração havia sido detectada em estágio inicial. Essa informação, isoladamente, porém, não permite determinar o estágio definitivo do câncer nem estabelecer um prognóstico.
O adenocarcinoma pulmonar pode se espalhar para outras partes do corpo, mas a possibilidade de metástase depende do estágio e das características do tumor. Segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, identificar o câncer enquanto ele ainda está localizado amplia as possibilidades terapêuticas.
“Quando conseguimos identificar um câncer de pulmão ainda localizado, as possibilidades terapêuticas são maiores e podemos trabalhar com estratégias de intenção curativa”, explica o especialista.
Entre os principais fatores que ajudam a orientar as decisões médicas estão:
A avaliação da extensão do câncer ajuda a equipe médica a definir quais tratamentos podem ser indicados. Quando o tumor permanece localizado, a cirurgia pode ser uma opção com intenção curativa. Se houver disseminação para outros órgãos, a estratégia terapêutica pode ser diferente. A possibilidade de metástase varia de acordo com as características da doença.
A retirada do tumor não significa, necessariamente, que o tratamento terminou. A análise do tecido removido, a avaliação dos linfonodos e outras características da doença ajudam a estimar o risco de recorrência e a determinar se tratamentos complementares podem trazer benefícios.
Em alguns casos de câncer localizado, a cirurgia pode ser suficiente. Em outros, a equipe médica pode recomendar terapias adicionais para reduzir o risco de a doença voltar. A decisão depende dos resultados da avaliação após o procedimento, e não apenas da retirada da área afetada.
O tamanho do tumor, os resultados do exame histopatológico, o comprometimento dos linfonodos e, em determinados casos, as alterações moleculares ajudam a orientar os próximos passos. Dependendo dos resultados, o paciente pode precisar de quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo, além da cirurgia. Essas opções não são indicadas para todos os casos e devem ser consideradas individualmente.
O especialista também destaca a importância de personalizar as estratégias terapêuticas. “Um dos grandes avanços da oncologia nos últimos anos foi justamente a possibilidade de personalizar o tratamento. Dois pacientes com adenocarcinoma pulmonar podem precisar de abordagens completamente diferentes, mesmo quando apresentam tumores aparentemente semelhantes”, afirma Ramon.
Além da cirurgia, o tratamento do câncer de pulmão pode envolver quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. A indicação varia de acordo com o estágio da doença, as condições clínicas do paciente e as características moleculares do tumor.
As terapias-alvo são desenvolvidas para agir sobre alterações específicas das células cancerígenas, como determinadas mutações no gene EGFR ou rearranjos no gene ALK. Esses tratamentos só são considerados quando as características do tumor indicam que podem ser úteis.
Já a imunoterapia busca estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais. Assim como acontece com as terapias-alvo, sua indicação depende de critérios clínicos e das características da doença.
A escolha do tratamento pode exigir exames moleculares e outras avaliações especializadas. Por isso, dois pacientes com o mesmo subtipo de câncer podem receber tratamentos diferentes, conforme os resultados dos exames e a avaliação médica. Até o momento, a Santa Sé não anunciou se Leão XIV precisará de quimioterapia, imunoterapia, radioterapia ou terapia-alvo.
A ausência de sintomas nas fases iniciais pode dificultar o diagnóstico do câncer de pulmão. Por esse motivo, pessoas com fatores de risco devem conversar com profissionais de saúde sobre a necessidade de avaliação e de exames de rastreamento, quando indicados.
A realização de exames, porém, não significa que todos devam passar pelos mesmos procedimentos. A indicação depende de fatores como histórico de tabagismo, idade, exposição a agentes de risco e recomendações clínicas aplicáveis a cada pessoa.
A previsão inicial é que o pontífice permaneça internado por cerca de uma semana. Seus compromissos públicos foram cancelados até 20 de outubro, enquanto ele se recupera da cirurgia.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, comentou à imprensa italiana que ficou surpreso com a necessidade do procedimento, mas destacou que a alteração havia sido identificada a tempo. A identificação de uma alteração durante exames pode favorecer a investigação precoce, embora não determine, sozinha, a gravidade da doença.
A viagem prevista de Leão XIV à América do Sul, entre 6 e 17 de novembro, com passagens por Peru, Uruguai e Argentina, depende de eventuais atualizações oficiais sobre a agenda do pontífice.