As novelas de 2025 entregaram exatamente aquilo que o público mais gosta e também aquilo que mais irrita. Foi um ano de contrastes na teledramaturgia: de um lado, personagens fortes, novas formas de consumo e temas tratados com mais sensibilidade; do outro, tramas esticadas ao extremo e erros que afastaram parte da audiência.
Entre acertos e tropeços que viraram assunto nas redes sociais, o balanço do ano ajuda a entender para onde caminham as novelas brasileiras. A seguir, o Purepeople lista os principais acertos e erros das novelas em 2025, em uma análise que diz muito sobre o presente e o futuro da dramaturgia.
A Globo conseguiu algo que parecia cada vez mais raro: fazer o público parar para assistir a um último capítulo ao vivo, como aconteceu no último capítulo de 'Vale Tudo', cujo intuito era saber quem matou Odete Roitman. Houve mobilização e conversa nas redes que agitaram o Brasil.
As novelas do streaming e os formatos verticais provaram que vieram para ficar. 'Beleza Fatal' foi um fenômeno logo no início do ano, levando fãs a bares para assistir ao último capítulo e consagrando a vilã de Camila Pitanga.
Já as novelas verticais ganharam força com títulos como 'A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário', da ReelShort. A Globo chegou depois, mas entrou no jogo com 'Tudo por Uma Segunda Chance', confirmando que os novos hábitos de consumo já são realidade.
Há tempos o público não se conectava tanto com uma protagonista quanto com Gerluce (Sophie Charlotte), de 'Três Graças'. Simpática, corajosa, falha e profundamente humana, a personagem conquistou o carinho do público justamente por errar, aprender e evoluir em cena.
Quando bem trabalhados, temas sociais continuam sendo um dos maiores trunfos das novelas. 'Três Graças' acertou ao abordar identidade de gênero e diversidade afetiva, com o casal vivido por Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski, além de Gabriela Loran como Viviane, mulher trans que se envolve com Leonardo (Pedro Novaes), em uma trama tratada com respeito e naturalidade.
O aguardado remake de 'Vale Tudo', pensado para celebrar os 60 anos da Globo, acabou virando exemplo de que nem toda releitura funciona. Apesar de qualidades pontuais, como escolha de parte do elenco, a história se afastou demais da obra original, apresentou personagens incoerentes e causou estranhamento no público.
A volta ao modelo dos anos 90, com tramas acima de 200 capítulos, mostrou-se um problema. O excesso de duração prejudica o ritmo e afasta o público. 'Dona de Mim' é o exemplo mais recente: Rosane Svartman precisou fazer ajustes significativos para encerrar a novela em 218 capítulos.
A ausência de atores veteranos segue sendo um erro recorrente. Apesar de nomes como Suely Franco, Arlete Salles e Ary Fontoura ainda brilharem, muitos profissionais históricos da teledramaturgia seguem fora do radar, sem sequer participações especiais.
O excesso de publicidade mal integrada foi um dos pontos mais criticados do remake de 'Vale Tudo'. O caso mais comentado foi quando Solange (Alice Wegmann) fez propaganda de lava-roupas enquanto Afonso (Humberto Carrão) revelava que o irmão, dado como morto, estava vivo. Faltou sutileza e sobrou constrangimento.
Será que vou precisar apontar os mesmos erros no final de 2026? Vamos aguardar!