Angélica foi a protagonista da pouco lembrada minissérie "O Guarani", que a extinta Rede Manchete (1983-1999) colocou no ar em 1991. Assinada por Walcyr Carrasco, a produção foi inspirada livremente no clássico livro de mesmo nome de José de Alencar (1829-1877) e escrito em 1857. Assim como ocorreria sete anos depois com a novela "Brida", "O Guarani" também envolveu problema nos bastidores para a emissora fundada por Adolpho Bloch (1908-1995).
Neste dia (7) no qual é comemorada a Luta dos Povos Indígenas, o Purepeople lembra que 30 pessoas (incluindo crianças) que participavam das gravações da minissérie no Rio acabaram despejadas de um hotel, do Catete, bairro do Centro da cidade, onde estavam hospedados há cerca de duas semanas.
Além de terem sido colocados para fora do Hotel Imperial, não puderam "retirar suas roupas porque a produção da minissérie não pagou as diárias", segundo o "Jornal do Brasil" de 28 de agosto de 1991. A gente lembra que na época daquela reportagem se usava o termo "índio" e suas variações para fazer referência aos representantes dos povos originários e que esta matéria reproduz trechos do conteúdo sem trocar palavras e/ou expressões.
De acordo com o "JB", o gerente de produção da minissérie recebeu uma reclamação envolvendo a "má conduta dos índios". "Chegaram a urinar no corredor do hotel e estariam desagradando os outros hóspedes", segundo a matéria de 35 anos atrás. "Eles queriam colocar os índios para fora e eu disse que não poderiam fazer isso, porque nós estávamos pagando", relatou Emílio Benaderet.
Na direção de "O Guarani", o profissional contou que o hotel recebeu 1,6 milhão de cruzeiros (moeda que circulou pela mais recente vez de 1990 a 1993) da Manchete pela hospedagem das 30 pessoas da tribo guarani. Por sua vez, os indígenas também fizeram reclamações, mas contra a equipe da emissora. "(O primeiro grupo) teria sido impedido de lavar suas roupas, por ordem de uma das pessoas que trabalham na produção da TV", no caso Ivanise Paes Leme.
"Nossos irmãos chegaram aqui com a roupa limpa e voltaram cheirando mal. Depois da gente brigar muito é que eles permitiram que lavássemos as roupas no hotel", contou Inayá Iwareju. Outra reclamação envolveu o sumiço de roupas pertencentes aos guaranis.
Por sua vez, Emílio Benaderet disse que os indígenas recebiam toda atenção da equipe da Manchete. "Eles estão sendo tratados como os outros atores. Se ficam doentes, nós compramos remédios. Pagamos a lavagem de roupa e até as despesas com frigobar", listou. Os representantes dos povos originários que estavam em Friburgo, região Serrana do Rio, segundo o profissional recebiam um pagamento como se fossem atores.
A isso se somavam valores para despesas de hospedagem, alimentação e transporte, fora uma diária de 4.500 mil cruzeiros.
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