Faustão e Gugu Liberato travavam novo capítulo da guerra de audiência aos domingos em 1999 quando anônimos se transformaram em armas inéditas para atrair o telespectador. Enquanto o "Domingo Legal" mostrava a história um então catador de latinhas, o "Domingão do Faustão" abria espaço para um cantor anônimo, que levou um cartaz para o estúdio da Globo e conseguiu chamar atenção de Fausto Silva, hoje em recuperação de quatro transplantes realizados em cerca de um ano.
Infelizmente, nesse sábado (24) se completam 28 anos da morte precoce de Mano Junior. Manoel Pinheiro, nome de batismo do sertanejo estava hospedado em um hotel de Ceilândia, no Distrito Federal, e ficou desaparecido por cerca de um dia.
Na época da morte, de causas naturais, em 24 de janeiro de 2008 foi descartada a hipótese de assassinato, uma vez que o quarto estava trancado, com a chave no trinco, e sim sinal de algum tipo de violência contra o artista. "Ele saiu de casa por volta do meio-dia, mas não falou para onde ia. Todo mundo pensou que ele iria trabalhar. Passou o tempo, ele não chegou em casa e todos ficaram desesperados", relatou à imprensa um irmão de Mano Junior, que chegou a lançar um CD em 1999.
Antes de ser descoberto por Faustão, Mano Junior, então com 21 anos, tinha como missão cantar no palco do "Planeta Xuxa", um dos maiores sucessos da carreira da apresentadora. Em 4 de julho, fez sua estreia no "Domingão" e até o domingo dia 8 de agosto havia participado de cinco edições do dominical em um período de seis semanas.
"O Júnior é uma alternativa ao excesso de axé, sertanejo e pagode no programa", explicou ao jornal "Folha de S.Paulo" Alberto Luchetti, então diretor do "Domingão", que pagou um cachê de mil reais para Mano cantar pela primeira vez na atração, segundo seu empresário.
Na época, o cantor estava há dois meses no Rio e para conseguir viajar se desfez de sua televisão por apenas R$ 100. Após a primeira aparição no palco de Faustão, Mano viu a música "Jura", de composição do grupo Cheio da Terra, ser entregue a ele após Luchetti convencer o conjunto a não repassar a canção, hit nas paradas, ao sertanejo Daniel.
Um contrato permitia o cantor aparecer em outros programas de outras emissoras. Por isso, esteve no "Sem Limites para Sonhar", que Fábio Jr. comandava na Record. Porém, Mano Junior só poderia ser visto aos domingos na Globo, que anos antes havia adotado um "código de ética" no dominical por causa do "sushi erótico".
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