A psicologia afirma que a geração que cresceu nas décadas de 1960 e 70 não se tornou durona porque quis — tornou-se durona porque o mundo lhes impôs consequências sem rede de segurança e sem explicações
Publicado em 23 de março de 2026 às 19:29
Entenda os reflexos de quem cresceu nas décadas e 1960 e 1970, e o que reflete nos dias atuais
Lázaro Ramos e o vilão Jendal da novela 'A Nobreza do Amor' Lázaro Ramos, nascido em 1978, carrega em sua história marcas de superação, como lidar com o racismo Em 1960 e 1970, você caía da bicicleta e levantava com o joelho ralado. Ou seja, eram pequenas dores que, repetidas, ensinavam a suportar. Pode-se dizer que crescidos entre as décadas de 1960 e 1970 se tornaram resistente da mesma forma que o couro se torna duro: por meio da exposição contínua a situações difíceis, até que algo mude profundamente por dentro De acordo com a psicologia, as pessoas que cresceram entre 1960 e 1970 aprenderam a esperar, a suportar, a atravessar dores que, em muitos casos, paralisariam pessoas mais jovens.

Há uma geração inteira que aprendeu a ser forte não por escolha, mas por necessidade. Pessoas que cresceram nas décadas de 1960 e 1970 foram moldadas por um mundo em que não havia redes emocionais de proteção, apenas a exigência silenciosa de seguir em frente. A resistência, nesse contexto, não era uma qualidade admirável, era uma condição de sobrevivência.

Pode-se dizer que essas gerações se tornaram resistente da mesma forma que o couro se torna duro: por meio da exposição contínua a situações difíceis, até que algo mude profundamente por dentro. 

Um exemplo simbólico dessa trajetória é Lázaro Ramos, nascido em 1978 e hoje um dos maiores nomes da arte brasileira. Atualmente vivendo o vilão Jendal em 'A Nobreza do Amor' o ator carrega em sua história marcas de superação, como lidar com o racismo. Sua força em cena não vem apenas do talento, mas de vivências que exigiram resistência desde cedo.

Voltando à reflexão mais ampla, naquela época o fracasso fazia parte da rotina. Não havia suavização. Você caía da bicicleta e levantava com o joelho ralado. Se enfrentasse um professor, as consequências vinham em dobro. Perder o dinheiro do lanche significava ficar com fome até o jantar. Ou seja, eram pequenas dores que, repetidas, ensinavam a suportar.

A autora Ava, que estudou esse comportamento geracional, resume bem esse cenário: “Nas décadas anteriores, esses pequenos fracassos faziam parte do cotidiano. Eram desconfortáveis, mas não catastróficos. Hoje, quando os adultos removem todos os obstáculos, as crianças podem ser privadas de oportunidades para desenvolver resiliência gradualmente.” 

A frase evidencia uma diferença importante entre gerações: a forma como lidam com o erro e a frustração.

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Mas há um ponto essencial que muitas vezes é ignorado. Essas pessoas não foram completamente abandonadas. Pesquisas da Universidade da Califórnia (UCLA) mostram que programas sociais das décadas de 60 e 70, como o Head Start e a ampliação do vale-alimentação, tiveram impacto real na redução da pobreza e no aumento da escolaridade. 

Na realidade, o Estado podia garantir comida e acesso à educação, mas não ensinava ninguém a nomear sentimentos, a lidar com frustrações ou a expressar dor. Eram políticas públicas voltadas para a sobrevivência material, não para o desenvolvimento emocional. Não havia terapia, nem espaço para vulnerabilidade.

O resultado disso aparece décadas depois. Muitas dessas pessoas, hoje com mais de 60 anos, começam a buscar ajuda psicológica pela primeira vez. Carregam traumas antigos, dificuldades de se abrir e uma tendência a reprimir emoções. 

Por outro lado, há também uma força inegável. Essas gerações aprenderam a esperar, a suportar, a atravessar dores que, em muitos casos, paralisariam pessoas mais jovens. 

O desafio agora é outro. É entender que aquela resistência, tão necessária no passado, pode se tornar um peso no presente. E, talvez, o movimento mais corajoso dessa geração seja justamente o de desaprender, reconhecer que pedir ajuda não é fraqueza, mas um novo tipo de força.

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Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
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