Galvão Bueno segue internado em São Paulo após apresentar problemas respiratórios e fortes dores na região dos rins. Recém-contratado do SBT, onde irá narrar partidas da Copa do Mundo 2026, após ter anunciado que o Mundial passado (2022) seria o seu último, o locutor esportivo traçou uma longa trajetória na Globo, onde trabalhou por mais de 40 anos.
O que poucos sabem é que entre 1992 e 1993, o dono do bordão "Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Brasil" teve uma passagem desgastante pela OMTV (hoje, CNT) que inclui cheques sem fundos entregues ao locutor. "Não sentia mais nenhuma honestidade por parte deles", resumiu Galvão em março de 1993, ano no qual retornou à Globo após propostas do SBT, Band e Manchete.
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Era começo de março de 1992 quando Galvão anunciou sua saída da Globo, onde estava desde 1981 sendo o responsável pela narração de aproximadamente 150 corridas de Fórmula 1, incluindo o tricampeonato de Senna (1988/1990/1991). "Atingi o máximo na Globo. Não poderia deixar escapar esta oportunidade", afirmou ao "Jornal do Brasil" o então sócio do empresário José Carlos Martinez (1948-2003) na parte esportiva da nova emissora, que chegaria ao fim em maio de 1993.
O primeiro desafio foi narrar jogo da Libertadores da América pelo novo canal. Depois vieram a produções de programas esportivos para a OMTV, incluindo uma tradicional mesa-redonda. Mas em 6 de janeiro a relação chegou ao fim. "Ano de tombos", frisou Lúcia, então mulher de Galvão, se referindo a 1992 e a um ano do marido perder o amigo Senna e cogitar largar o microfone.
De volta à Globo, o narrador mostrava sua insatisfação com a OMTV. "Um acordo como o que eu fiz com a Rede OM não é inviável no Brasil, desde que ambas as partes prezem por dignidade e honestidade", disparou ao "O Globo" em 11 de março. Dois dias depois, ao "JB", prosseguiu: "Não me pagavam o que e deviam, os cheques sem fundo se acumulavam (o primeiro em maio de 1992), não tinha mais nenhuma possibilidade de continuar lá".
Na época, Galvão acionou a Justiça contra a OM para receber 100 milhões de dólares de indenização. Àquela altura, o canal havia oferecido uma TV em Londrina (PR) para tentar um acordo com o locutor. Ao mesmo tempo cheques foram devolvidos pela falta de fundos - um deles de mais de 5 bilhões de cruzeiros.
"Eles agiram de má fé todo o tempo e desonraram o compromisso. Queremos agora receber o que nos é devido", não perdoou a mulher de Galvão, morta em 2010 anos após o fim do casamento - o narrador engatou relação com a atual mulher, Desirée em 2001.