A manhã desta segunda-feira (17) marcou mais uma reviravolta no caso envolvendo Robinho, condenado a 9 anos por estupro coletivo na Itália. Detido no Brasil desde março de 2024, o ex-Seleção Brasileira deixou a Penitenciária II de Tremembé, conhecida nacionalmente como a “prisão dos famosos”, após uma decisão que atendeu a um pedido de sua defesa. Segundo confirmou a Secretaria de Administração Penitenciária ao UOL, ele foi transferido para o Centro de Ressocialização de Limeira, também no estado de São Paulo. As unidades ficam a cerca de 280 quilômetros de distância uma da outra.
A movimentação ocorre em meio a uma intensa disputa jurídica. Nos últimos dias, a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra o pedido de soltura apresentado pelos advogados do ex-atleta. A defesa argumenta que a pena aplicada no Brasil seria superior à proferida pela Justiça italiana e aguarda o julgamento do habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.
A SAP não detalhou o motivo da transferência, mas a saída acontece após uma série de decisões que reacenderam o debate sobre o caso. Um dos pontos mais comentados foi a redução de 69 dias na pena do ex-jogador. Como revelou o Diário de Justiça de 28 de outubro, o benefício foi concedido pela participação do detento em atividades educacionais dentro do presídio de Tremembé.
Ao todo, Robinho concluiu 11 cursos entre abril de 2024 e janeiro de 2025, somando 132 horas de estudo. Também frequentou aulas do ensino médio, acumulando 464 horas presenciais, e realizou a leitura de cinco livros. O documento, contudo, não especifica os cursos concluídos.
Em material divulgado pelo Conselho da Comunidade de Taubaté, Robinho afirmou não receber qualquer tipo de benefício especial dentro da unidade. “Aqui o objetivo é reeducar, ressocializar aqueles que cometeram erro. Nunca tive nenhum tipo de liderança aqui, nenhum lugar. Aqui quem manda são os guardas, como falei para senhora, e nós, reeducandos, só obedecemos”, declarou no vídeo de quase nove minutos.
O conteúdo foi produzido em resposta ao livro “Tremembé: O presídio dos famosos”, do jornalista Ulisses Campbell, lançado após “dois anos de investigação e escrita”. A obra destaca a desigualdade entre presos e descreve “como o choque de classes se materializa entre os muros”, citando que “presos pobres lavam roupas, limpam celas e cozinham para os mais ricos”. A penitenciária ficou conhecida por abrigar nomes de repercussão nacional, como Suzane von Richthofen, Alexandre Nardoni, Roger Abdelmassih, Sandrão e Elize Matsunaga.
A transferência do ex-jogador virou assunto nas redes sociais e rendeu comentários cheios de ironia. No Instagram, usuários ironizaram a mudança citando até uma suposta “segunda temporada” da série de sucesso do Prime Video. “Não quer ser interpretado na temporada 2 de Tremembé”, comentou um internauta.
Outros usuários disseram que ele “já saiu correndo antes das gravações da segunda temporada de Tremembé”, reforçando a ideia de que a mudança para Limeira teria vindo em ritmo de urgência. Houve ainda quem lembrasse do recente caso envolvendo Cristian Cravinhos e a polêmica sobre a posse de uma calcinha para uso pessoal, afirmando que “depois do Christian com a intimidade revelada, Robinho tratou rapidinho de sair de lá”.
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