Sabe quando você se olha no espelho, e mesmo sendo amada por todos, parece que algo está errado? Ou quando diz ser uma coisa para quem está à sua volta, mas na verdade você é outra completamente diferente?
No universo da ficção, várias obras de sucesso, tanto em filmes como em novelas, já trouxeram essa temática à tona. Uma delas foi “Avenida Brasil” (2012), que chega em breve ao “Vale a Pena Ver de Novo”, e vai ganhar uma continuação na Globo.
Sendo este um dos maiores sucessos da emissora, revelou vários personagens icônicos da teledramaturgia. Dentre eles está Rita/Nina, vivida pela atriz Débora Falabella, e a megera Carminha, interpretada por Adriana Esteves, dona de uma bela mansão no Rio de Janeiro.
Pensando nessa personagem “duas caras”, Carminha mostrava ser uma persona íntegra e religiosa para os outros, quando na verdade, a sua verdadeira face era muito cruel. Quem estava à sua volta nutria profunda admiração por aquilo que ela dizia ser, e não por aquilo que ela verdadeiramente era, em sua essência.
Analisando a situação, quando a pessoa está acostumada a se portar dessa forma, repleta de fingimentos, acaba esquecendo de quando está atuando, ou sendo ela mesma, pois se distancia cada vez mais do seu “eu verdadeiro”.
Esse cenário de que tudo está perfeito pode ser traiçoeiro, já que é um dos tipos de solidão que fere profundamente a alma, pior até do que qualquer rejeição. Seus amigos ou parentes gostam de você apenas por algo fictício que construiu, e isso gera uma verdadeira prisão dentro de si.
Você aprende a fingir que está tudo bem, quando na verdade não está. Além disso, não vale expressar frustrações, e acaba se adaptando ao ambiente. Para a psicóloga Margaret Foley:
“O falso eu não é mentiroso em um sentido malicioso; é uma versão de você que aprendeu a manter a paz, para evitar a rejeição ou conquistar amor”, ressaltou.
Na maioria das vezes, é por medo profundo daquilo que os outros vão pensar. Segundo Margaret, “muitos de nós, principalmente os mais sensíveis, escondemos como realmente estamos, porque a nível inconsciente, temos medo de não sermos dignos e amáveis como somos de verdade”, explicou a psicóloga.
Dessa forma, acreditamos tanto que o nosso verdadeiro eu não é suficiente, que preferimos ser outra pessoa. Assim, acabamos sendo amados por uma mentira.
Diversos estudos mostram que as pessoas que se comportam dessa forma acabam desenvolvendo altos índices de ansiedade, um dos maiores problemas da geração, além do receio de uma avaliação negativa.
É importante ressaltar que ficar nessa situação também traz um cansaço do qual ninguém está disposto a admitir. Estudos do portal Dranitsaris-Hilliard mostraram que manter uma identidade falsa nos relacionamentos, pode acarretar em:
- Exaustão emocional;
- Falta de conexão verdadeira;
- Sensação de auto abandono.
O impacto psicológico é verdadeiramente real, já que as pesquisas do Temples Counsel relataram, mais uma vez, que esse problema pode desenvolver ansiedade, além de depressão e deixar um vazio imenso.
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Nesse contexto, você pode até estar rodeado de pessoas que sentem algo por você, ou até mesmo dividir a cama com aquela pessoa especial, mas tem a sensação de que está sozinho e abandonado.
Isso também vale para a Geração Z, por exemplo, onde existem influenciadores e milhares de pessoas com muitos seguidores, que gostam daquilo que você publica. Mas, na verdade, ninguém sabe como você é de verdade.
Afinal, qual a diferença entre auto-sólido e pseudo-sólido? De acordo com a psicóloga Michelle Quirk, o “auto-sólido é formado pelas crenças essenciais de cada um”.
Já o segundo, muda de acordo com quem está ao seu redor. E é claro, geralmente nós agimos de acordo com ele. Até mudamos de opinião ou tentamos diminuir o nosso sucesso perante os outros.
Para sair do “modo piloto automático”, você deve tentar fazer pausas e analisar as suas atitudes. Estabeleça limites, pensando de forma verdadeira naquilo que realmente quer, e se deixe pedir ajuda quando achar necessário.
Traga as suas opiniões, como por exemplo, dizendo o que você gostaria de jantar. Tudo isso pode parecer irrisório, mas na verdade, está fazendo com que se conecte com a sua verdadeira essência.
A psicóloga Bella de Paulo afirma que “A autenticidade está no cerne do que significa ser Solteiro de Coração”. Profundo, não é? Estar em um relacionamento sério consigo mesmo molda todo o resto. É necessário se libertar desses padrões para ser você mesmo.