Durante os anos 1990, era praticamente impossível abrir um jornal ou ligar a TV sem ver uma foto da princesa Diana. O frenesi em torno dela não tinha precedentes: Lady Di virou a mulher mais fotografada do planeta, perseguida diariamente por enxames de paparazzi em motos, carros e até barcos!
A intensidade dessa vigilância constante - que ela própria classificava como “insuportável” - moldou não apenas sua relação com a imprensa, mas também sua rotina. E é justamente dessa rotina que surge uma história pouco conhecida, revelada por Jenni Rivett, a personal trainer que acompanhou Diana por sete anos e que reapareceu na mídia após um leilão estrondoso de um dos agasalhos mais famosos da princesa, um moletom azul marinho vendido por mais de 50 mil dólares.
Segundo Jenni, Diana usava o moletom todos os dias ao ir para a academia e não era por acaso. Ao repetir o mesmo look, ela dificultava o trabalho dos paparazzi e desvalorizava as fotos: se todas as imagens pareciam iguais, os jornais não tinham novidade para vender. Brilhante!
A estratégia era engenhosa. "Era muito inteligente da parte dela", confessou a treinadora, que também era amiga pessoal da princesa, em entrevista à "The Royal Box". "Tornamo-nos muito próximas e ela confidenciava-me algumas coisas. Por vezes eu até lhe dizia para não me contar algumas histórias pois se saíssem na imprensa pensaria que tinha sido eu", completou
A relação de Diana com a imprensa nunca deixou de ser tensa. Ela entendia o poder das lentes, mas também conhecia o preço alto de ser caçada por elas. Em 1997, durante férias com Dodi Al-Fayed em Paris, a perseguição dos paparazzi atingiu seu ponto mais sombrio. A tentativa desesperada de despistar fotógrafos em motos terminou tragicamente no túnel da Pont de l’Alma, quando o Mercedes em que ela estava colidiu com uma pilastra.
Dodi e o motorista morreram na hora. Diana ainda teve atendimento, mas não resistiu aos ferimentos internos. A morte da princesa, aos 36 anos, chocou o mundo, expôs a sede voraz dos tabloides e deixou a pergunta incômoda que ecoa até hoje: até onde vai o direito à imagem?
O mesmo moletom usado para “estragar” as fotos dos paparazzi acabou se tornando um dos itens mais disputados da memória de Lady Di. A peça foi vendida em um leilão em 2019 por um valor aproximado de R$ 200 mil. Antes, ela havia sido um presente para a treinadora - a loira deixou até um bilhete que terminava com "Muito amor de Diana, beijos".
O comprador foi um colecionador da Califórnia, que bateu lances contra interessados de todo o mundo. O valor arrecadado foi para financiar a educação de uma criança no Malawi... exatamente o tipo de destino humanitário que Diana teria aprovado.
Mais de 25 anos após sua morte, a mensagem por trás desse truque continua atual: Diana não aceitava ser reduzida a flashes e manchetes. Mesmo quando parecia que não havia saída para escapar das câmeras, ela encontrava uma forma de assumir o controle, nem que fosse repetindo o mesmo moletom todos os dias. Ela faz falta!