Nos últimos anos, em meio às transformações trazidas pela popularização dos smartphones, uma mudança parecia irreversível: a aposentadoria do relógio de pulso.
Com as horas sempre à vista na tela do celular, consultar o acessório deixou de ser uma necessidade para muita gente, dando a impressão de que ele havia perdido seu espaço de vez.
Mas, como diz o ditado, nada dura para sempre.
Se você tem a impressão de que cada vez mais pessoas voltaram a usar relógios de pulso, seja resgatando um modelo antigo da gaveta ou investindo em um novo acessório, não está sozinho. Essa percepção acompanha um movimento observado pelo mercado.
Um relatório da Grand View Research aponta que o setor global de relógios segue em expansão e deve manter um crescimento médio anual de 4,3% até 2033.
Mas esse movimento não se limita aos smartwatches. Os relógios analógicos e digitais tradicionais também voltaram a aparecer nos pulsos de muita gente. Embora ofereçam bem menos recursos do que um smartphone, é justamente essa simplicidade que pode explicar parte do seu retorno.
À primeira vista, optar por um relógio de pulso pode parecer um hábito de quem ficou preso ao passado ou resiste aos avanços da tecnologia.
A psicologia, porém, aponta para uma explicação diferente: em muitos casos, a escolha pode representar uma forma consciente – ou até intuitiva – de consultar as horas sem desbloquear o celular e acabar se distraindo com notificações, redes sociais ou outros aplicativos.
Essa hipótese foi investigada em um estudo publicado na revista científica Addictive Behaviors Reports.
Liderada pela pesquisadora Lea-Christin Wickord, a equipe analisou dados de 6.615 participantes, com idades entre 16 e 67 anos, para investigar a relação entre o uso de diferentes tipos de relógios e os padrões de uso da internet e do smartphone.
Os pesquisadores observaram que participantes que costumavam consultar as horas no smartphone ou utilizá-lo como despertador relataram permanecer online por mais tempo do que pretendiam após pegar o aparelho.
Já aqueles que utilizavam relógios tradicionais, sem conexão com a internet, apresentaram padrões menos problemáticos de uso do smartphone e da internet.
Os autores ressaltam que os resultados mostram uma associação, e não uma relação de causa e efeito.
Ainda assim, eles sugerem que recorrer a um relógio tradicional para tarefas simples, como consultar as horas, pode reduzir ativações desnecessárias da tela do celular e contribuir para hábitos digitais mais saudáveis.
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