Para muitos, o silêncio é visto como solidão ou a falta de alguma coisa, já para a psicologia é muito mais benéfico. Estudos apontam que pessoas que hoje estão na faixa dos 55 aos 75 anos podem ter uma relação diferente com a ausência de estímulos quando comparadas às gerações que cresceram cercadas por telas, notificações e redes sociais.
Isso não significa que toda pessoa dessa faixa etária goste de silêncio ou que os mais jovens sejam necessariamente mais inquietos. A explicação passa também pelo ambiente em que cada geração foi criada.
Quem nasceu entre as décadas de 1950 e 1970 viveu a infância em uma realidade que não havia smartphones, internet, redes sociais ou um fluxo ininterrupto de vídeos, mensagens e informações.
Um bom exemplo é Julia Roberts. Aos 58 anos, a atriz americana, nascida em 28 de outubro de 1967, continua sendo uma das estrelas mais conhecidas de Hollywood, mas construiu uma imagem pública marcada pela discrição.
Longe dos holofotes, Julia preserva a vida pessoal, é casada há mais de duas décadas com o diretor de fotografia Daniel Moder e é mãe de três filhos. Nas telas, entretanto, sua personalidade expansiva ganha outra dimensão.
Para a psicologia, a relação com o silêncio pode ser entendida também pela forma como o sistema nervoso se adapta ao ambiente. Durante a infância, o cérebro aprende quais níveis de estímulo são habituais.
Uma pessoa que cresceu em uma casa sem televisão ligada o dia inteiro, sem celular vibrando e sem notificações constantes pode desenvolver uma relação mais confortável com períodos de baixa estimulação. Portanto, o silêncio pode representar descanso, reflexão e tranquilidade — e não ausência de alguma coisa.
A experiência das gerações mais novas é bem diferente. Crianças e adolescentes cresceram cercados por telas, vídeos curtos, músicas, jogos e notificações. O cérebro passa a lidar constantemente com novidades e recompensas rápidas.
Quando esses estímulos desaparecem, algumas pessoas podem experimentar inquietação e buscar imediatamente alguma coisa para preencher aquele espaço, como ligar a televisão, colocar uma música, abrir uma rede social ou conferir o celular.
A psicologia aponta que a dificuldade de tolerar baixos níveis de estímulo pode estar relacionada ao hábito de receber recompensas e informações constantes. Quando o ambiente fica quieto, surge uma espécie de desconforto que leva a pessoa a procurar novamente alguma fonte de entretenimento ou distração.
Isso, porém, não significa que uma geração seja mais equilibrada, madura ou saudável do que outra. A relação com o silêncio também é resultado de personalidade, hábitos, contexto social e experiências individuais.
Às vezes, não há necessidade de uma música, uma conversa, uma tela ou uma notificação. O silêncio pode simplesmente existir e, em vez de representar vazio, pode ser justamente o espaço necessário para descansar, pensar e respirar.