Tem gente que jura que desejar o mal para outra pessoa é sinal de pura maldade. E não é? Pois bem, segundo a psicologia, esse comportamento nasce como uma tentativa emocional de proteção, defesa ou compensação interna.
Claro que, nas novelas da Globo o público adora uma vilã sem limites. Em 'Quem Ama Cuida', Pilar, interpretada por Isabel Teixeira, praticamente virou símbolo de crueldade. A personagem manipulou provas, destruiu vidas e conseguiu colocar Adriana, vivida por Letícia Colin, injustamente atrás das grades.
Já em 'Coração Acelerado', Naiane, personagem de Isabelle Drummond, também mostrou até onde alguém pode ir movido por obsessão emocional. A vilã não descansou enquanto não afastou João Raul, interpretado por Filipe Bragança, de Agrado, personagem de Isadora Cruz.
E impossível falar sobre prazer na desgraça alheia sem lembrar de Carminha, a personagem icônica de Adriana Esteves em 'Avenida Brasil'. Manipuladora, venenosa e completamente sem limites, ela virou uma das maiores vilãs da televisão justamente porque parecia sentir satisfação ao destruir os outros.
Só que fora da ficção, a psicologia tenta entender o que existe por trás desse comportamento. Esse sentimento tem até nome: 'schadenfreude', palavra alemã usada para descrever o prazer ou satisfação ao ver outra pessoa sofrer ou fracassar.
Segundo especialistas, isso está ligado a vários processos emocionais e psicológicos, sendo um verdadeiro mecanismo de defesa.
Quando alguém está frustrado, inseguro ou emocionalmente abalado, perceber que outras pessoas também enfrentam problemas pode gerar uma sensação momentânea de alívio. É quase como se o cérebro dissesse: “não sou só eu que estou sofrendo”.
Outro fator importante é o senso de justiça. Muitas pessoas sentem necessidade de acreditar que toda ação gera consequências. Então, quando enxergam alguém considerado arrogante, cruel ou injusto enfrentando dificuldades, acabam sentindo uma espécie de satisfação emocional.
A lógica é simples: “fez errado, agora está pagando”. Isso acontece porque o cérebro humano funciona muito através da comparação social. As pessoas avaliam constantemente suas próprias vidas observando os outros.
Quando alguém se sente inferiorizado ou frustrado, ver que outra pessoa também falha pode trazer um conforto psicológico temporário. Do ponto de vista neurológico, isso pode até gerar liberação de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa.
Mas os especialistas alertam que sentir isso ocasionalmente não transforma automaticamente alguém em uma pessoa ruim.
O psicólogo e pesquisador Agustín Ibáñez, do Centro de Neurociências da Universidade Adolfo Ibáñez, explica que esse tipo de reação faz parte das chamadas 'emoções morais'. Ou seja, emoções relacionadas à maneira como julgamos comportamentos e avaliamos o mundo social ao nosso redor.
Na prática, isso mostra que sentimentos considerados 'feios' muitas vezes escondem insegurança, medo, baixa autoestima ou necessidade de validação emocional. Talvez seja justamente por isso que as novelas fazem tanto sucesso.