A minissérie "Pssica", lançada pela Netflix no última quarta-feira (20), vem chamando a atenção de milhares de assinantes pela intensidade de sua narrativa e mantendo-se no TOP 10 do streaming no Brasil. Em apenas quatro episódios, a produção brasileira já figura entre as mais assistidas da plataforma e coloca em debate temas delicados como tráfico humano, abuso sexual, violência urbana e vingança.
Logo após a repercussão, o YouTuber Felca, que recentemente denunciou o influenciador digital Hytalo Santos por exploração de menores em um vídeo sobre “adultização”, ganhou ainda mais destaque. Mas a pergunta que muitos têm feito é: afinal, será que essa história é baseada em fatos reais?
A trama acompanha Janalice (Domithila Cattete), jovem ribeirinha sequestrada e submetida a abusos por uma quadrilha que domina os rios da região. O elenco também conta com Lucas Galvino, que interpreta um criminoso, e a atriz colombiana Marleyda Soto, no papel de Mariangel, mulher em busca de vingança pela morte da família. O clima sombrio da série é reforçado pela ideia de que os personagens vivem sob uma espécie de maldição inevitável, o que torna a narrativa intensa e perturbadora.
Além de Domithila Cattete, o elenco traz nomes locais que têm recebido destaque. O ator Alberto Silva interpreta o prefeito Brazão, personagem central e cheio de poder. Ele contou em entrevista ao portal O Liberal que o processo de seleção foi intenso, com vários testes, e destacou a importância da série: “Uma produção desse porte pode somar muito no debate sobre o tráfico sexual na Amazônia, que é um problema gravíssimo e ainda pouco discutido”.
Embora a série seja uma obra de ficção, Pssica tem inspiração direta na realidade da região amazônica. A produção é baseada no livro homônimo de Edyr Augusto, escritor e ex-jornalista paraense. Em entrevista à revista Vice, Augusto contou que sua narrativa nasceu de relatos colhidos em cidades como Breves, Faro e Afuá, no Pará, além da própria Belém, considerada uma das capitais mais violentas do mundo.
Segundo o portal Minha Série, os episódios mostram práticas que infelizmente existem, como o leilão de meninas de apenas 11 ou 12 anos na Ilha do Marajó. O autor foi categórico ao afirmar: “Meninas com cara de criança. É ininteligível a estupidez do homem em fazer isso”.
Muita gente tem curiosidade sobre o título. A palavra pssica é uma gíria popular do Pará que significa azar, maldição ou algo negativo que persegue alguém. De acordo com Edyr Augusto, a expressão tem origem no idioma indígena nheengatu. O autor explicou à Vice: “Falamos muito em Belém quando se quer desejar azar para alguém. Você deseja uma psica para a pessoa”.
A escolha do termo para dar nome à obra reforça a atmosfera de desgraça que envolve os protagonistas.
Com apenas quatro episódios, "Pssica" está disponível exclusivamente no catálogo da Netflix. Basta ter uma assinatura ativa para assistir quando e onde quiser a esse drama impactante, que consegue prender a atenção pelo realismo e pela intensidade de sua narrativa. A série não só conquistou o público brasileiro, como também atraiu olhares de fora, colocando a Amazônia e suas dores em evidência no cenário audiovisual mundial.
Para quem busca uma trama intensa, que mistura realidade dura e ficção, a minissérie é uma experiência difícil, mas necessária, já que levanta reflexões urgentes sobre tráfico humano, desigualdade social e violência contra mulheres e crianças.
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