O fisiculturista e influenciador fitness Renato Cariani, de 50 anos, enfrenta um novo capítulo no processo que investiga um suposto esquema de desvio de produtos químicos destinados à fabricação de drogas. Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e outros 8 milhões no YouTube, o empresário é alvo de um pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que pode resultar em uma pena de até 51 anos e 8 meses de prisão, caso a Justiça acolha integralmente a acusação.
De acordo com informações publicadas pelo g1 nesta quarta-feira (28), a promotoria pediu a condenação de Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. O processo também envolve Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados como suspeitos de participação no esquema.
Apesar da gravidade das acusações, é importante destacar que Renato Cariani responde ao processo em liberdade e ainda não foi condenado. A defesa do influenciador afirma que pretende contestar os argumentos apresentados pelo Ministério Público e sustenta que as acusações são improcedentes.
Segundo o g1, o Ministério Público apresentou suas alegações finais, etapa em que a acusação se manifesta após a produção de provas e antes da sentença judicial. A promotoria pede que Cariani seja condenado por crimes relacionados ao suposto desvio de substâncias químicas para o narcotráfico.
O cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida, conforme a reportagem, considera a possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos para a fabricação de drogas e outros 59 crimes de lavagem de dinheiro.
Caso o pedido seja aceito integralmente, cada um dos réus poderá receber uma pena de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas. O cálculo também considera o aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Almeida ressaltou, porém, que o limite de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos, independentemente da soma das penas aplicadas na condenação.
© Reprodução/Instagram, @renato_cariani
Cariani é proprietário da Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa sediada em Diadema, na Grande São Paulo, que foi alvo da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.
Conforme as informações divulgadas pelo g1, a investigação começou em 2019, depois que a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que não reconhecia movimentações de produtos químicos registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017.
Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa teria simulado, por 59 vezes, vendas de produtos para companhias que não haviam solicitado as substâncias. A acusação também sustenta que Cariani teria simulado pedidos fictícios para justificar os desvios.
Na denúncia, os promotores afirmaram que o influenciador autorizou a separação e a retirada de produtos fora do expediente, em fevereiro de 2018. Entre os materiais citados estavam 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína, faturados à AstraZeneca.
A acusação também menciona supostos documentos falsos e tentativas de interferir na fiscalização dos produtos químicos. Essas afirmações fazem parte das alegações apresentadas pelo Ministério Público e ainda dependem da análise judicial.
© Reprodução/Instagram, @renato_cariani
Além de Cariani, Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira também são alvos do pedido de condenação.
De acordo com a reportagem do g1, Fábio é apontado como responsável pela venda e pela intermediação do fornecimento das substâncias químicas, atuando como elo entre a empresa e compradores ligados ao tráfico de cocaína e crack.
As investigações também indicam que ele teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca para viabilizar negociações com a empresa de Cariani. Além disso, Fábio é apontado como responsável por depósitos em espécie na conta da Anidrol.
Já Rodrigo, segundo o documento mencionado pelo jornal, teria participado da movimentação de recursos ilícitos, realizando depósitos em dinheiro e operações que, conforme a acusação, buscariam dar aparência legal aos valores.
O Ministério Público também pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que foram citadas durante as investigações.
Em nota enviada ao g1, o advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa do influenciador, afirmou que recebeu o pedido do Ministério Público com naturalidade.
“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, declarou o advogado.
Na mesma nota, a defesa manifestou confiança no Poder Judiciário e afirmou acreditar que o julgamento levará à absolvição do empresário.
“Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, acrescentou Romani.
© Reprodução/Instagram, @renato_cariani
Em dezembro de 2023, quando foi alvo da operação policial, Cariani usou as redes sociais para comentar o impacto das notícias sobre sua vida e seu trabalho. Na ocasião, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, o influenciador afirmou que havia enfrentado um dos períodos mais difíceis de sua vida.
“Ontem eu tive um dos dias mais difíceis da minha vida. É muito triste você ver a cada notícia o quanto você é machucado, ferido e a quantidade de absurdos que são escritos. A maneira como a mídia se apropria da sua imagem e constrói uma coisa horrorosa”, declarou nos stories do Instagram.
Na sequência, o empresário afirmou que pretendia seguir em frente apesar da repercussão do caso.
“Mas ontem foi ontem e hoje é hoje. Hoje acordei falando o seguinte: ‘Vou fazer o meu dia como tem que ser. Energia, força, coragem’. Afinal de contas, eu sei a pessoa que eu sou, eu sei o trabalho que eu faço, eu sei o quanto eu luto todos os dias pra construir minha história, minha jornada, minhas empresas”, disse.
Naquele momento, Cariani também agradeceu às pessoas que lhe enviaram mensagens de apoio e encerrou o desabafo com a frase: “Isso não vai me derrubar”.
Agora, com o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público, o processo entra em uma etapa decisiva. A responsabilidade criminal dos acusados ainda será definida pela Justiça, que deverá analisar os argumentos da acusação e da defesa antes de proferir a sentença.