Os domingos da televisão nunca mais foram os mesmos após “Sai de Baixo”, sitcom que estreou na TV Globo há 30 anos. Enquanto os brasileiros gargalhavam com as aventuras da família decadente do Largo do Arouche, o clima nos bastidores era exatamente o oposto. O primeiro ano da série foi marcado pelo caos instaurado por Claudia Jimenez, ícone do humor que morreu em 2022 vítima de uma insuficiência cardíaca.
Segundo uma reportagem publicada pelo Jornal O Globo na época, a intérprete de Edileuza foi retirada pela Globo como forma de punição por seu comportamento nos bastidores. A matéria afirma que ela foi afastada “depois de se desentender com companheiros de cena, brigar com roteiristas, desacatar diretores e agredir técnicos, figurinistas e maquiadores”.
Um integrante da equipe relatou à reportagem que o figurino de Edileuza, uma empregada doméstica, gerava dor de cabeça. “Não dá para ter uma doméstica que faz questão de se vestir como milionária. Nos últimos programas, a Cláudia só queria usar brincos do Antônio Bernardo e roupas da Andréa Saletto. Pode?”.
Eram muitos os rumores de que Claudia estava enciumada com o sucesso de Magda, personagem de Marisa Orth. Com isso, as duas ficaram seis meses sem se falar. Ela também teria tentado criar brigas entre Tom Cavalcante e Miguel Falabella.
Com os diretores, o clima era igualmente hostil. “Ela não seguia as ordens do Wilker e era absolutamente grosseira com ele. Pior foi com o Dennis Carvalho [diretor falecido em fevereiro]. Um dia, a Cláudia perturbou tanto o ensaio que ele teve que sair do teatro para esfriar a cabeça”, dedurou outro integrante da equipe.
Rompida com o redator Claudio Paiva, que teria exposto publicamente a rusga com Marisa, a comediante chegou a alterar o texto para provocá-lo. “Era um episódio em que a família tinha uma cobra de estimação batizada de Floquinho e ela passou o programa todo chamando o bicho de Paivinha. Ninguém aturava mais esse tipo de provocação”, relatou mais um profissional.
Afastada do “Sai de Baixo”, Claudia não foi parar na geladeira. Meses depois, assumiu o comando do “Chico Total”, com a missão de substituir Chico Anysio enquanto ele se recuperava de uma cirurgia.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Claudia admitiu as discussões nos bastidores, mas esperava outro desfecho. "Peitei o diretor Daniel Filho. Apontava o que não gostava no texto, na direção. Sabia que poderia sair, não estava satisfeita e nem queria mais aquilo, mas não precisavam ter feito daquele jeito."
Claudia também reclamou das piadas gordofóbicas que ouvia dos colegas de elenco, muitas vezes, no ar. "Trabalhei durante anos com Chico Anysio e com Jô Soares, os dois maiores comediantes do país, e eles nunca usaram o fato de eu ser gordinha.”
A primeira substituta de Edileusa foi Lucinete, interpretada pela atriz Ilana Kaplan. No entanto, a personagem não vingou e ficou apenas três semanas no ar. Em seguida, Márcia Cabrita assumiu como a icônica Neide.
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