Uma carta aberta assinada por atores, escritores e músicos, incluindo estrelas de Hollywood, saiu em defesa da escritora irlandesa Sally Rooney após a decisão de uma editora britânica de interromper a distribuição de seus livros no Reino Unido. O motivo é o apoio público da autora ao grupo pró-Palestina Palestine Action, classificado como organização terrorista pelas autoridades britânicas. Entre os signatários estão Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, protagonistas da série 'Pessoas Normais', da Prime Video.
Divulgado nesta quarta-feira (21), o documento foi publicado na revista The New Statesman e reúne nomes conhecidos do entretenimento, como Tilda Swinton, Susan Sarandon, Jessie Buckley, Alison Oliver, Jonathan Glazer, Zadie Smith e Kate Nash, além do grupo musical Kneecap. Segundo informações publicadas pela Veja e pela Rolling Stone Brasil, a manifestação critica a retirada das obras das prateleiras e questiona os efeitos da legislação antiterrorista sobre a liberdade de expressão.
A carta aberta traz uma declaração direta sobre a situação da escritora: “Sally Rooney é uma escritora, não uma terrorista. Seus livros devem estar disponíveis ao público.”
Os signatários também classificam a retirada das publicações como uma afronta à liberdade de expressão. No texto divulgado pela The New Statesman, eles criticam a aplicação de uma legislação antiterrorista que consideram inadequada e excessivamente rigorosa.
“Rejeitamos categoricamente a censura, seja ela direta ou indireta, e instamos o governo a mudar de rumo, alterando a legislação que nos levou a este ponto de absurdo repressivo”, afirma outro trecho do comunicado.
A iniciativa reúne mais de 150 apoiadores, entre profissionais da cultura e do entretenimento, que pedem uma mudança de postura do governo britânico. A participação de Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, conhecidos por interpretarem o casal principal da adaptação de 'Pessoas Normais', também colocou o caso em evidência entre os fãs da produção.
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A controvérsia envolve o apoio público de Sally Rooney ao Palestine Action, grupo de ação direta que atua em defesa da causa palestina. De acordo com a Rolling Stone Brasil, as autoridades do Reino Unido classificaram o movimento como organização terrorista em 2025, após episódios de vandalismo em uma base da força aérea.
A proibição da atuação do grupo foi mantida após uma longa batalha judicial. Nesse contexto, a filiação pública, o apoio ou a arrecadação de recursos financeiros para a organização podem resultar em punições de até 14 anos de prisão, conforme as informações publicadas pela revista.
Na semana anterior à divulgação da carta, a editora britânica Faber, responsável pela publicação dos livros de Rooney, anunciou que não poderia continuar distribuindo suas obras no país. A decisão está relacionada à posição política da escritora e às restrições impostas pela legislação britânica.
Segundo a Rolling Stone Brasil, a autora informou, em comunicado recente ao jornal The Guardian, que a editora não poderia mais distribuir seu trabalho no Reino Unido. Ela também esclareceu que a decisão foi tomada com seu consentimento.
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A escritora já havia se manifestado publicamente sobre o tema. No ano passado, em um artigo de opinião publicado no Irish Times, Sally Rooney afirmou que continuaria destinando os lucros de seus livros ao Palestine Action.
Na ocasião, a autora criticou a classificação do grupo como organização terrorista e questionou a equiparação de atos de vandalismo, manifestações públicas e perturbações em bases aos crimes de guerra cometidos pela organização terrorista Al-Qaeda. Ela também interpretou a medida como uma tentativa do governo britânico de controlar a liberdade de expressão política.
Em declarações reproduzidas pela Rolling Stone Brasil, Rooney afirmou: “Fiz todo o possível para ser honesta com o público sobre minhas crenças e intenções”. Em seguida, acrescentou: “E estou totalmente preparada para aceitar as consequências”.
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O caso colocou em evidência o conflito entre a aplicação das leis antiterroristas no Reino Unido e as preocupações de artistas e escritores com a liberdade de expressão. Enquanto as autoridades britânicas mantêm a classificação do Palestine Action como organização terrorista, os signatários da carta questionam os efeitos dessa decisão sobre a circulação de obras literárias.
A manifestação também destaca o impacto que medidas políticas e legais podem ter sobre a publicação e a distribuição de livros. Para os artistas que assinaram o documento, a retirada das obras de Sally Rooney representa um problema que vai além da situação individual da escritora.
Com a participação de nomes como Paul Mescal, Daisy Edgar-Jones, Tilda Swinton e Susan Sarandon, a carta aberta transforma a controvérsia em uma discussão pública sobre os limites da censura, a legislação antiterrorista e o direito de autores expressarem suas posições políticas.