A procrastinação é algo que afeta muitas pessoas e, na maior parte das vezes, vai muito além do 'deixar para depois'. No dia a dia, é comum que as pessoas deixem compromissos para o último instante justamente pelo excesso de pensamentos. O resultado é uma mistura de ansiedade e culpa, porque a tarefa não some sozinha e, ao mesmo tempo, atormenta sua cabeça por um bom tempo.
Para lidar com isso, existe uma filosofia muito famosa pelo mundo. O estoicismo nasceu na Grécia e ganhou força em Roma, e tem uma ideia central baseada no fato de você não controlar tudo o que acontece, mas controlar como escolhe agir diante do que acontece. Em vez de gastar energia tentando garantir o resultado perfeito, o foco deve ser o que está sob sua responsabilidade, como decisões, hábitos, esforço e consistência.
Dentro dessa lógica, Sêneca um dos mais famosos filósofos estoicos, diz: "As coisas são difíceis quando não nos atrevemos a fazê-las". Isso significa que o trabalho em si pode até ser difícil, mas ele fica ainda pior quando você não começa, porque o que está parado vira uma bola de neve em seus pensamentos.
A procrastinação se alimenta justamente dessa sensação abordada por Sêneca. Quando você adia algum plano, você também adia o desconforto de encarar o começo, o que pode ser um alívio em um primeiro momento. Só que, no dia seguinte, a tarefa continua lá, mas com um atraso que tende a deixar tudo mais tenso e desesperador.
O que o estoicismo propõe é sair do campo das emoções difusas e entrar no campo das ações para resolver os próprios problemas. Desta forma, existem três aplicações possíveis e essenciais para deixar a mente mais relaxada e sem os turbilhões do 'dia seguinte'.
A primeira aplicação é separar resultado de processo: o resultado pode depender de fatores externos, mas o processo tem partes que dependem só de você. Em vez de pensar "preciso resolver isso de uma vez", você pode se questionar qual passo pode executar hoje. Pode ser algo pequeno como mandar uma mensagem, abrir um documento e rascunhar, listar itens, organizar materiais, marcar um horário, pedir uma informação e até estudar alguns minutos.
A segunda aplicação é reduzir a tarefa ao tamanho de uma frase curta. "Fazer o projeto" é o objetivo final, mas você pode dividi-lo em várias tarefas, como "escrever a primeira versão", "separar as referências", "montar a estrutura" e "revisar por 15 minutos". Essa divisão te ajuda a não 'surtar' com o quanto falta para concluir e concentrar sua energia em pequenos atos.
A terceira aplicação é aceitar que o desconforto faz parte do processo. O estoicismo não é a resolução dos seus problemas, mas trata a frustração, o erro e o incômodo como parte disso tudo. Isso muda o jeito de pensar, porque você pode começar com o que tem e ajustar aos poucos até perceber que, com essa filosofia, quase tudo melhora na prática.
Por fim, existe um ponto do estoicismo que faz a diferença em uma rotina cheia de procrastinação. Em vez de deixar tudo para fazer no último dia, faz mais sentido criar um horário fixo, reduzir interrupções e registrar pequenos avanços, porque ver o progresso reduz a sensação de estagnação que alimenta a procrastinação.
Parafraseando o pensamento de Sêneca, tudo fica ainda mais difícil quando quando você não se atreve a dar o primeiro passo.