A cena foi ao ar semanas atrás no remake de "Vale Tudo" (2025), mas segue ecoando nas redes sociais. Durante o casamento de Fátima (Bella Campos) e Afonso (Humberto Carrão), Solange (Alice Wegmann) resolveu marcar presença na cerimônia e soltou uma bomba em cima da vilã.
Sozinha em um cômodo com a filha de Raquel (Taís Araújo), ela disparou um verdadeiro trava-língua moral e icônico: "A gente pode enganar todo mundo por quase todo tempo, quase todo mundo por todo tempo, mas a gente não pode enganar todo mundo por todo tempo".
A fala, que encerrou o monólogo de Solange diante da vilania de Fátima, foi imediatamente comparada à versão original da novela, exibida em 1988 - onde Lídia Brondi também proferiu os termos. Mas, o que muita gente talvez não saiba é que essa frase já havia sido dita em outra novela... e bem antes de "Vale Tudo".
A sentença que soa como lição de moral (e quase um jogo de lógica) é, na verdade, uma adaptação de uma frase clássica atribuída a Abraham Lincoln, presidente dos EUA entre 1861 e 1865. A versão original, dita em 1858, é: “Você pode enganar todas as pessoas por algum tempo, e algumas pessoas durante todo o tempo; mas não consegue enganar todas as pessoas por todo o tempo".
Gilberto Braga deu seu toque. Ajustou a construção, intensificou o tom e deixou a frase mais dramática e palatável para a TV. O resultado é um daqueles diálogos que grudam na memória!
O que pouca gente se lembra, ou simplesmente nunca soube, é que essa mesma frase apareceu anos antes na novela "Água Viva", exibida em 1980. Também escrita por Gilberto Braga, com colaboração de Manoel Carlos, e dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan, a trama era outro sucesso das 21h.
Na ocasião, quem soltou a frase foi Celeste, personagem vivida por Arlete Salles, em uma discussão com Lígia, interpretada por Betty Faria. A frase passou quase despercebida do grande público, talvez pelo contexto da cena, talvez porque ainda não havia redes sociais para eternizar tudo em loop. Mas agora, com a reprise da frase no remake de 2025, a memória afetiva dos noveleiros veio à tona, e a curiosidade ressurgiu com força. Estão chocados!?
Ah, vale destacar que em 2012, na obra de sucesso de João Emanuel Carneiro, "Avenida Brasil", o trava-línguas também apareceu na boca de Carminha (Adriana Esteves). Compare!
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